"UM DOS MAIORES DESAFIOS DO COMBATE AO HIV/AIDS, NO BRASIL E NO MUNDO, CONTINUA SENDO A ADESÃO DOS PACIENTES AO TRATAMENTO COM ANTIRRETROVIRAIS"


"Especialistas defendem proximidade com pacientes como forma de melhorar a adesão ao tratamento do HIV/AIDS"

Todos os motivos e situações de pessoas que vivem com Aids e têm dificuldade em tomar regularmente os antirretrovirais foram assunto de um encontro que reuniu, em São Paulo, na semana passada,  "autoridades, médicos e profissionais de saúde". Durante o 1º Fórum Nacional de Adesão à Terapia Antirretroviral, temas como:

A Ciência do Comportamento a Favor de Nossos Pacientes, Do Estudo ao Mundo Real, O Paciente Privado de Liberdade, Trabalhando Adesão em Paciente Idoso, Adolescentes: Nem Crianças, Nem adultos, A Mãe HIV e a Adesão Pós-Puerperal, Dependentes Químicos, O Retorno do Paciente Pródigo: Acolhendo o Retorno, "foram discutidos com a intenção de descobrir as razões que levam pacientes a interromperem o tratamento".

A médica Rosa de Alencar Souza, do Centro de Referência e Treinamento (CRT São Paulo) defendeu a ideia de que é preciso criar um vínculo entre o paciente e o serviço. "O vínculo com os profissionais e com os serviços prestados é fundamental para termos bons resultados". Cintia Nocentini, também do CRT, lembrou que "a atenção às relações familiares e s redes sociais como apoio, podem construir um ponto importante quando o assunto é adesão".

Gustavo Mizuno, farmacêutico do CRT, informou e admitiu que: "nas últimas três décadas os índices de adesão não tiveram um aumento significativo". Um de nossos desafios é manter a adesão na vida real, cotidiana do paciente. O esquecimento, os efeitos colaterais, os quadros depressivos desenvolvidos por muitos deles colaboram para a interrupção do tratamento".

Sobre Exclusão Social e HIV, a enfermeira Adriana Paula da Silva, do Hospital do Câncer de Pernambuco, declarou que o fato de os trabalhos no setor serem escassos dificulta um diálogo melhor. "As populações mais excluídas têm muita dificuldade com adesão. É preciso conhecer alguns comportamentos para melhorar a relação dessas pessoas com a medicação. Um olhar apurado sobre o que dizem e suas necessidades ajuda bastante".

No ranking mundial de população encarcerada, "o Brasil ocupa o quarto lugar no volume numérico de população. São cerca de 570 mil pessoas e uma estimativa de 5 a 15% de casos de HIV entre eles". O sistema prisional, segundo Camila Rodrigues, do Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário (CHSP-SAP,SP), "é um mundo à parte onde os fatores de risco são mais acentuados. Não existe distribuição de preservativos, os índices de violência sexual são grandes, registra-se a falta de consultas médicas, os presos dependem de agentes penitenciários para receber a medicação e o confinamento trás mais vulnerabilidade . Todos esses fatores dificultam a adesão".

Sidney Pimentel, do CRT, comentou ao falar sobre: O Paciente Pediátrico e Seus Cuidados, "que nem toda criança que se trata sabe sobre seu diagnóstico positivo. Todos aprendemos muito. Há algum tempo não imaginávamos que eles iriam virar adolescentes e adultos. Um grande avanço. Por isso, precisamos trabalhar, antes de tudo, a adesão à vida, depois ao serviço e aos esquemas terapêuticos".

A médica Marinella Della Negra, infectologista no hospital Emílio Ribas, responde pelo acompanhamento de 400 adolescentes. O Emílio, carinhosamente assim chamado pelos médicos que lá trabalham, é reconhecido como referência em infectologia no Brasil. "Ela explicou que os estudos dão conta de uma menor adesão entre os adolescentes. Segundo seus dados, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam em todo o mundo, 2 milhões de adolescentes com HIV com idades entre 10 e 19 anos . Para Marinella, lidar melhor com o tema na família auxilia a revelação do dignóstico e facilita a adesão. Nunca dizer papai tem aquela doença".

A doutora Isabella Da Nóbrega, do Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa ( CEDAP BA) em Salvador, Bahia, que falou sobre: A Mãe HIV e Adesão Pós-Puerperal, "ressaltou que as mulheres acompanhadas em seu trabalho relatam que aderem em 100% ao tratamento antes do parto.  Elas não querem transmitir o vírus para suas crianças, se cuidam bastante. Depois, muitas relaxam na adesão, porque as atenções são voltadas para o bebê".

O médico Durval Costa acompanha aproximadamente 300 idosos que vivem com HIV, de um total de mil pacientes acima de 60 anos que o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo atende. O fato de o idoso ter doenças como diabetes, pressão alta, osteoporose, faz com que ele tenha de ingerir um número maior de comprimidos diariamente. "Isto dificulta bastante a adesão. Temos mandado SMS, fazemos uma busca ativa dos pacientes que faltam e individualizamos o tratamento com nossa equipe multidisciplinar para melhorar os índices no tratamento da Aids", explica Durval.

"A negação da doença, a falta de percepção da real necessidade do tratamento, os conhecidos efeitos adversos, a complexidade em administrar o tomar a medicação, muitas vezes a falta de privacidade, o medo de desenvolver lipodistrofia e o fato de os comprimidos representarem cotidianamente a doença na vida da pessoa", foram alguns dos itens abordados por Lucy Vasconcelos, do Centro de Prevenção e Assistência às Doenças Infecciosas(Cepadi) em São Caetano do Sul (Grande São Paulo) para explicar a falta de adesão.

A médica Lucy, ao falar sobre: Acolhendo o Retorno, "explicou que o melhor a fazer é sempre tentar entender, junto ao paciente, os motivos que o fizeram desistir temporariamente do tratamento. Ter e expressar raiva pela atitude de abandono não acolhe ninguém. Julgar o paciente por suas faltas também não. enfatizou . O sucesso da adesão está ligado a uma postura fraterna e acolhedora por parte dos profissionais de saúde", fez questão de ressaltar.

Especialista em adesão em populações privadas de liberdade em diferentes países no mundo, Frederick Altice, professor de medicina em Yale ( EUA) falou da complexidade de adesão em dependentes químicos. Apresentou histórias e trouxe diferentes realidades: 38 estudos com 14.960 pacientes. Na Malásia, quando o paciente usa substâncias químicas, " ele simplesmente para o tratamento". No Peru, em um universo de 5.200 homens que fazem sexo com homens(HSH), "a prevalência de álcool foi registrada em 63%. Dois em cada três dos pesquisados abusavam do uso da substância".

Ainda segundo Frederick, no sistema carcerário da Argentina, se o detento for descoberto fazendo uso de álcool ou cocaína,  "é excluído do tratamento como represália". O professor enfatizou que é preciso deixar o paciente ser quem ele é de fato para conseguir bons resultados na adesão. "Uma pessoa que usa drogas consideradas ilícitas tem de ser abordada pelo profissional de saúde de forma que não se sinta constrangida de fazer uso das substâncias. Se você não perguntar, ele não vai falar nada. É preciso lidar com a realidade do paciente", destacou.

O especialista explicou que os novos critérios para aferir os distúrbios do uso de drogas têm novo conceito considerando o uso como "leve, moderado ou grave". Segundo ele, se o paciente for tratado de forma correta poderemos obter uma melhor adesão aos medicamentos. "A cultura de cada país também deve ser levada em conta e observada quando o assunto é adesão e uso de substâncias tóxicas. Na Rússia, por exemplo, ninguém vive sem tomar vodka".

O professor comentou que "os vícios são um problema biológico e, ao pedir permissão e conversar sobre isso com o paciente, o profissional de saúde terá mais elementos para conseguir um caminho que traga resultados positivos para adesão". Promovido pela Janssen, o evento foi coordenado pelo gerente médico de virologia , Bernardo Gaia. Outro objetivo do encontro foi facilitar a criação de uma rede de profissionais envolvidos em adesão para "trocar experiências e se fortalecer".

Fonte: Agência de Notícias da Aids

"GRUPO PELA VIDDA NITERÓI E O GRUPO DE APOIO AOS SOROPOSITIVOS REAFIRMAM PARCERIA NA LUTA CONTRA HIV/AIDS"


No dia 10/10/2014, o Grupo de Apoio aos Soropositivos (GAS), instalado no Instituto Municipal Nise da Silveira, unidade hospitalar localizada à Rua Ramiro Magalhães 521, no bairro do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, recebeu a visita de integrantes do Grupo Pela Vidda Niterói, "reiterando a parceria entre as duas entidades em promover ações de convivência, troca de conhecimento e mobilização de combate à epidemia de HIV".

O encontro serviu para que os integrantes do GAS apresentassem o novo espaço de integração e convivência de seus voluntários, que está instalado no Centro de Convivência e Cultura Trilhos do Engenho de Dentro, em uma das áreas da unidade de saúde cedida pela direção do hospital desde julho deste ano. A recepção aos integrantes do Pela Vidda foi feita por Renato da Matta, fundador e presidente do GAS e Coordenador de Articulação Política do grupo de Niterói e pela Dra. Érica, diretora do Instituto Municipal Nice da Silveira.

O Pela Vidda Niterói foi representado pelo vice-presidente José Antônio Trindade, pela advogada Patrícia Rios, por Josué Mitidieri e Giuseppe Genovese. O encontro foi prestigiado pela Dra. Miriam Franchini, coordenadora do Laboratório do DDAHV - Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais, Ministério da Saúde, e por Dr. Sérgio Aquino, Gerente de DST/Aids da Secretario Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Além de conheceram as instalações do GAS, "os participantes também debateram a ampliação dos serviços a serem oferecidos pelo espaço, como a implantação de testagens de sífilis, hepatites virais e confirmatório para o HIV".

A diretora da unidade hospital, Dra. Érica, informou que foi disponibilizado um espaço ainda maior para o Grupo de Apoio aos Soropositivos, para que os novos serviços possam ser oferecidos, ampliando a atenção as pessoas vivendo com HIV e Aids. "O espaço, além da oferta de atividades de convivência e integração, e de acompanhamento do tratamento dos pacientes em diversas frentes, também terá atendimento jurídico, numa parceria com o Pela Vidda Niterói, e em breve divulgaremos outros serviços de saúde que disponibilizaremos no GAS", disse Renato da Matta.

O GAS já tem 10 anos de atividades "via internet", atuando como uma referência na relação virtual de solidariedade e conhecimento entre seus usuários que buscam informação e convivência diante do viver com HIV e Aids, "e desde julho de 2014 ampliou suas ações, passando também a promover a relação presencial". O repasse de informações e notícias de temas relacionados à epidemia de Aids, como medicamentos, avanços tecnológicos no tratamento, apoio pela descoberta da sorologia e solidariedade, e a convivência dos seus usuários, estão entre os objetivos do Grupo de Apoio aos Soropositivos.

Fontes/Links:

"NOVO PAPEL DO CENTRO DE TESTAGEM E ACONSELHAMENTO (CTA) É DEBATIDO EM SÃO PAULO"


Qual é o papel atual do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) na linha de cuidado de HIV/Aids, DST e hepatites virais?

Ele está estruturado para dispensar a profilaxia pós-exposição (PEP)?


E, no futuro, como será com a profilaxia pré-exposição (PrEP)?


Questões como estas estão sendo debatidas, nessas quarta e quinta-feiras (15 e 16), por 160 pessoas de 50 municípios do estado de São Paulo. Elas participam do 4º Encontro de CTA do Estado, num hotel no centro da capital paulista.

Estão reunidos coordenadores, interlocutores de GVEs (Grupo de Vigilância Epidemiológica) e outros gestores das cidades que apresentam maior número de casos das doenças. "Esse debate está contribuindo para a definição de novos rumos na política de saúde no estado", disse a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Maria Clara Gianna. Além das PEP e PrEP, o trabalho de prevenção junto às populações mais vulneráveis, avaliação de risco, encaminhamento de pacientes e capacidade estrutural e de recursos humanos dos centros são assuntos de destaque do encontro.

Karina Wolffenbuttel, pesquisadora do CRT e coordenadora da campanha Fique Sabendo, mostrou a evolução do CTA desde os anos 90. Ela destacou que ele sempre foi a porta de entrada para a prevenção e os cuidados assistenciais. "No início, não havia tratamento e o sentimento de impotência dominava os profissionais. O cardápio de ofertas aos usuários era reduzido a teste, informação, camisinha, apoio", disse Karina.

De 2000 a 2007, o CTA foi ampliado e passou a atender, "além de HIV, casos de sífilis e hepatites B e C, informou Karina. A camisinha feminina entrou para a prevenção, assim como o gel lubrificante, o kit de redução de danos para usuários de drogas, as vacinas para hepatite B e os tratamentos de DST". Foram anos em que houve mais investimento nas práticas de aconselhamento pré e pós-teste de HIV e diminuíram as atividades extramuros de prevenção, que era um dos focos nos anos 90, continuou a coordenadora.

O período entre 2007 e 2014 é marcado por eventos como "a implantação dos testes rápidos, o plano de ampliação do diagnóstico de HIV, o investimento na descentralização da testagem rápida para a atenção básica e o início da implantação da PEP sexual". A PEP sexual foi o tema de duas apresentações: de Artur Kalichman, coordenador-adjunto do Programa Estadual de DST/Aids, e da infectologista Denise Lotufo, gerente da Assistência do CRT.

Artur explicou como funciona o tratamento: "Quem considera que se expôs a um risco de infecção procura o serviço de saúde o mais rápido possível, em, no máximo, 72 horas. Constatado o risco, a pessoa toma antirretrovirais por 28 dias e, depois, faz acompanhamento por seis meses, com testes para HIV, sífilis e hepatites", explicou o médico.

"Sem preconceito"

Denise começou falando sobre a importância de se ver "a PEP como mais um recurso a que todos têm direito e não ter preconceitos com relação ao método. No começo, também havia o preconceito com o teste rápido", disse ela. "Felizmente, nós que somos da turma da Aids temos o privilégio de poder mudar de opinião". A médica destacou que quem trabalha na linha de frente, atendendo pacientes, sabe da necessidade de ampliar o leque da prevenção. "Só camisinha não está resolvendo. A PEP existe desde 2066 mas só em 2010 ficou claro que tínhamos de oferecê-la aos pacientes e, a partir de 2012, ela foi incluída nos Fóruns Regionais de Prevenção".

Apesar da constatação da necessidade da PEP, o consenso entre palestrantes e participantes é de que ainda é baixo o número de pessoas que acessam o recurso. Dentre os 50 municípios presentes na sala, 31 realizaram mais de dez dispensas de PEP entre 2011 e 2014. "E a falta de informação foi um dos motivos apontados para isso". Como informar de maneira mais rápida foi outra questão que os participantes ficaram de levar para seus municípios. "A gente tem muito o que trabalhar para ampliar o acesso da população", disse Karina. Para quem quer conhecer mais sobre a PEP, o CRT disponibiliza informações no site que você pode acessar CLICANDO AQUI.

Por: Fátima Cardeal
(Agência de Notícias da Aids)

"PELA VIDDA NITERÓI GANHA AÇÕES PARA CONCESSÃO DO VALE SOCIAL À PACIENTES COM HIV"

Por:  Beto Carmona - Jornalista

O departamento jurídico do "Grupo Pela Vidda Niterói" conseguiu mais uma vitória no Poder Judiciário Estadual, garantindo a dois portadores do vírus HIV, "o resgate de seus direitos na utilização do Vale Social, concessão de transporte gratuito para a mobilização de pacientes em tratamento".

A Justiça deferiu as liminares garantido a gratuidade, interpretando que "tratava-se de direito de acesso à saúde, obrigando o Estado, através Secretaria de Estado de Transportes (SETRANS), a conceder o número de passagens suficientes para que os pacientes possam ininterruptamente prosseguir com os seus tratamentos no controle ao vírus HIV, cujos os mesmos vinham tendo gastos excessivos em passagens".

Paralelamente, o "Grupo Pela Vidda Niterói", encaminhou uma denúncia coletiva, através de 30 usuários da instituição, ao Ministério Público de Tutela Coletiva em Saúde da região Metropolitana II do Estado do Rio de Janeiro, "questionando os casos de violação de direitos com a não concessão ou a concessão de viagens insuficientes do benefício". O jurídico da entidade aguarda um posicionamento do Ministério Público sobre a denúncia.

"Nosso jurídico tem recebido muitos pacientes que estão sendo impedidos de dar continuidade aos seus tratamentos. O Brasil concede tratamento gratuito para pacientes com HIV, mas se eles não tiverem como acessarem esses serviços eles adoecerão, e a responsabilidade será do Estado que não vem cumprindo com sua obrigação de garantir ao usuário o acesso à saúde, disse a Dra. Patrícia Rios, advogada do Pela Vidda Niterói".

Fonte/Links:

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