"COMBATE À AIDS: SÃO CAETANO É REFERÊNCIA NACIONAL NA ADESÃO AO TRATAMENTO ANTIRRETROVIRAL"


Por: João Victor Padovan/Secretaria de Saúde

Nesta quinta-feira (16/04), o Centro de Prevenção e Assistência às Doenças Infecciosas (Cepadi) da Secretaria de Saúde da Prefeitura de São Caetano do Sul recebeu a consultora técnica do Departamento Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Daniela Cerqueira Batista. O objetivo da visita foi conhecer os serviços presentes na cidade "em relação à adesão ao tratamento antirretroviral".

A diretora do Cepadi, Lucy Vasconcelos, infectologista, explicou que São Caetano é referência nacional neste tipo de terapia, que é a de tomar qualquer medicação de acordo com a prescrição. "No caso da Aids, ingerir o remédio da forma correta é fundamental para manter a doença sob controle e não tornar o vírus resistente", observou. O secretário municipal de Saúde, Jesus Adalberto Gutierrez, agradeceu a consideração e parceria do Ministério. "Estamos muito honrados com o reconhecimento. Para que sejamos ainda mais exemplo em todo o País, desejamos melhorar o nosso atendimento humanizado".

"Conheci a Lucy há dois meses e a convidei para ir até Brasília mostrar o trabalho feito no município. Logo de cara, percebi a paixão da doutora pelo assunto e o ótimo desempenho dela e da sua equipe na cidade. A motivação e receptividade é muito importante para que os pacientes se sintam acolhidos, além da vontade no tratamento. Isso eu percebi aqui desde a hora que entrei", concluiu Daniela Batista.

"Os números sobre os pacientes de São Caetano em tratamento com carga viral indetectável, ou seja, que não transmitem o vírus e vivem bem, é de 85% a 90%. A média mundial nesse quesito é de 60%. Aqui, existem poucos pacientes de resgate. Isso mostra que o trabalho do Cepadi é muito bem feito e coordenado, exaltou a diretora da unidade". 

Mais um motivo de excelência é a farmácia presente no Cepadi. Nela, existe um plantão de receita médica, ou seja, "o paciente pode chegar sem a receita e retirar uma nova e já conseguir a medicação. Isso é crucial para o sucesso do tratamento contra a Aids, por exemplo".

A consultora técnica do Departamento Nacional está realizando um projeto-piloto a fim de dar "aos pacientes de resgate, que são os que abandonam ou não se adaptam ao tratamento, uma caixa para as pílulas de remédios com os dias da semana onde eles possam organizá-los de forma mais fácil e não percam o dia de tomar a medicação". A iniciativa será testada apenas em três regiões: Distrito Federal, Florianópolis e São Caetano. "Se der certo, será apresentada ao Ministério da Saúde e poderá se tornar um padrão neste tipo de tratamento".

Atualmente, o Cepadi atende cerca de 650 pacientes em tratamento na unidade. "A visita valorizou muito o nosso trabalho e com os projetos podemos melhorar os serviços oferecidos aos munícipes", explicou Alexandre Yamaçake, coordenador adjunto do centro. "A unidade realiza orientações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, HIV/Aids e hepatites virais, oferta de exames de sorologia e tratamento aos pacientes de HIV, sífilis e hepatites B e C e doenças sexualmente transmissíveis".

"O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 7 às 19 horas, na Avenida Dr. Rodrigues Alves, 93, Bairro Fundação -Telefones: 4229-0255/3020 - E-mail: dstaids@saocaetanodosul.sp.gov.br".

"GESTOS DENUNCIA DESABASTECIMENTO DE MEDICAMENTOS ANTIRRETROVIRAIS NOS HOSPITAIS DE REFERÊNCIA EM HIV/AIDS DE PERNAMBUCO"


A Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero, organização não governamental que desde 1993 atua na defesa dos Direitos Humanos das pessoas que vivem com HIV/AIDS, vem lutado desde o ano passado juntamente com a RNP+ PE - Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids - Núcleo Pernambuco, a Articulação AIDS PE e outros componentes do Movimento AIDS no estado, "contra o desabastecimento de antirretrovirais (coquetel) nos hospitais de referência em HIV e AIDS do Estado de Pernambuco".

Segundo informações da Secretaria de Saúde, o problema tem ocorrido em razão da falha na prestação de serviços da empresa SaúdeLog, responsável pela distribuição da medicação, bem como pelo não registro da dispensa de medicamentos, por parte de alguns farmacêuticos, no Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM), o que impossibilitaria e/ou dificultaria a manutenção dos estoques dos antirretrovirais.

"Esta situação, recorrente, vem ocasionando falha na adesão aos medicamentos e, como consequência, grande prejuízo à saúde e à vida dos(as) soropositivos(as) para o HIV no estado. Segundo dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2014, Pernambuco é o 1º estado do Nordeste em óbitos por causa básica da AIDS".

"A falta freqüente dos antirretrovirais tem sido denunciada ao Ministério Público Estadual de Pernambuco, que solicitou informações ao Estado, e agendou audiência para tratar do caso no dia 17/04/2015 às 1430 hs". Esperamos que com estas medidas a situação seja resolvida, e que sejam evitados novos prejuízos à população soropositiva em nosso Estado.

"DENÚNCIA DA RNP+ APONTA BURACOS, MOFO, BICHOS E ATENDIMENTO PRECÁRIO EM HOSPITAL DO ES QUE ATENDE PACIENTES COM HIV/AIDS"

 

(Fotos: Divulgação/RNP+ - Juirana Nobres G1/ES)

"Buracos, muito mofo e até animais pelos corredores foram registrados em fotos no ambulatório do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Vitória/ES. A unidade atende a pacientes com HIV/AIDS. Além dos problemas da área física precária, o local tem apenas cinco médicos para atender cerca de 2,2 mil pacientes. A denúncia foi feita pela representação estadual da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV (RNP+)".

A chefe da Divisão Médica do Hucam, Aparecida das Graças Gomes, assumiu que há problemas com a estrutura do ambulatório, mas diz que em 2016 as instalações devem ser reformadas. "A unidade é referência no Espírito Santo nesse tipo de atendimento e, por isso, recebe constantemente novos casos, mas não possui estrutura suficiente". Apesar de oferecer atendimento a pacientes com HIV e AIDS, "o ambulatório do Hucam não conta com psicólogo e tem apenas uma assistente social que atende somente no período da tarde, o que faz com que o suporte social não seja completo".

Pelo "Qualiaids", o ideal é que sejam no máximo 50 pessoas atendidas por um médico no mês. Esse é o sistema de avaliação do governo sobre a qualidade da assistência ambulatorial dos serviços do SUS que assistem pessoas vivendo com HIV/AIDS. "Entretanto, na proporção do Hucam, são 440 pacientes para cada profissional. Por conta disso, não é possível fazer acompanhamentos mês a mês que seriam ideais". Se um médico tem que faltar e desmarca todos os pacientes de um dia, por exemplo, causa problemas para remarcação na agenda já superlotada. "A prioridade é o paciente que será atendido pela primeira vez, mas, nessa situação, não há como garantir uma consulta imediata".

Na estrutura física, o prédio antigo do ambulatório precisa urgentemente de reforma e reparos. A RNP+ reforça que "para um paciente de HIV e Aids, que está com imunidade baixa e sensível aos ambientes, é necessário o melhor cuidado possível com limpeza e assepsia". Fotos enviadas pela RNP+ mostram que, ao contrário disso, o local está cheio de mofo. "Há registros até de um gambá passeando no local". A RNP+ procurou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) que está administrando alguns hospitais escola pelo Brasil, inclusive o Hucam, no final do ano passado para tentar uma solução, mas não obteve resposta.

A chefe da Divisão Médica do Hucam falou que já há um plano para reestruturação do local. Isso é parte da precariedade em que os hospitais universitários ficaram nos últimos 20 anos, mas estamos executando um plano para reestruturação da área física, destacou Aparecida. Ela salientou que o local onde hoje funciona o Programa Vigilância, Prevenção e Controle da HIV/AIDS "foi feito como uma estrutura temporária em 1970, mas que perdurou até hoje". O superintendente do Hucam (Luiz Alberto Sobral) está trabalhando com a bancada federal para conseguir os recursos, diz. Sobre a falta de médicos, Aparecida esclarece que com o último concurso realizado o local ganhará um psicólogo e outro assistente social. Ela ressalta que há interesse do Hucam em aumentar o pessoal, no entanto é necessário conseguir entendimento do governo federal para abrir mais vagas e contratar médicos.

"MS ESTENDE ACESSO AO ANTIRRETROVIRAL '3 EM 1' PARA TODAS AS PESSOAS QUE VIVEM COM HIV/AIDS"


O Ministério da Saúde (MS) iniciou nesta segunda-feira (13/04/2015) a distribuição da dose tripla combinada "3 em 1" composta pelos medicamentos Tenofovir (300 mg), Lamivudina (300 mg) e Efavirenz (600 mg), aos pacientes com HIV e AIDS dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

"Antes, o medicamento estava disponível apenas para as pessoas que iniciavam o tratamento. Agora, o medicamento será ofertado a todos os pacientes em tratamento que usam esta combinação de drogas, os novos e os antigos".

Esta é a última etapa da implantação do novo medicamento que irá beneficiar "mais de 100 mil pacientes com HIV e AIDS". Desde 2014, o Ministério da Saúde investiu R$ 80 milhões na aquisição de 90 milhões de comprimidos. O estoque é suficiente para atender os pacientes em tratamento e futuros pacientes pelos próximos 12 meses.

Os medicamentos já eram distribuídos, na forma individual. Os novos pacientes dos estados do Rio Grande do Sul e Amazonas, que possuem as maiores taxas de detecção do vírus, também já recebiam, desde agosto, a dose tripla combinada. Nesse período, cerca de 11 mil pacientes foram beneficiados nestes dois estados. O uso do medicamento "3 em 1" está previsto no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Tratamento de Adultos com HIV e AIDS, do Ministério da Saúde, como tratamento inicial para os pacientes soropositivos.

A nova dose combinada representa um avanço importante na melhoria do acesso ao tratamento de aids no país, pois permite uma melhor adesão ao tratamento de pessoas que vivem com HIV e AIDS. Além de ser de fácil ingestão, o novo medicamento tem como grande vantagem a boa tolerância pelo paciente, já que significa a redução da atual dose, de quatro comprimidos, para um apenas, explica o diretor do Departamento de DST/aids e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita. Segundo ele, o tratamento consistia em dois comprimidos de Lamivudina, um de efavirenz e um de tenofovir.

Fonte: Ministério da Saúde

"UFPR É CONDENADA A INDENIZAR MÃE E BEBÊ POR TRANSMISSÃO DO VÍRUS HIV DURANTE O PARTO"


"Universidade Federal do Paraná (UFPR) terá que indenizar mãe e bebê recém-nascido por transmissão do vírus HIV durante o parto e pela ausência de tratamento com antirretrovirais nas duas primeiras horas de vida da criança".

A decisão foi tomada na última semana pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que deu provimento ao recurso da autora e aumentou de R$ 50 mil para R$ 200 mil a indenização por danos morais. A gestante descobriu que era portadora do vírus com seis meses de gravidez, após mudar-se para Curitiba e iniciar tratamento no Hospital de Clínicas da UFPR.

"Ela relatou no processo que não recebeu terapia antirretroviral para reduzir riscos de transmissão vertical. Em abril de 2006, teve rompimento da bolsa e foi operada em caráter de urgência. O bebê foi contaminado e teve um início de vida comprometido e com várias internações hospitalares".

Ela ajuizou ação na Justiça Federal de Curitiba em novembro de 2007 e a UFPR foi condenada a indenizar, recorrendo ao tribunal contra a decisão. A universidade alega que foi oferecido antirretrovirais à autora e que esta não teria tomado a medicação por descaso. Conforme a instituição, o tratamento, de qualquer forma, não tem garantia total. Argumentam também que a cesariana foi de emergência, mas que foi ministrada dose de ataque de AZT, medicação que combate o vírus, para diminuir a possibilidade de transmissão do HIV ao bebê. A defesa levantou, ainda, a possibilidade da contaminação ter ocorrido durante a amamentação.

Para o relatora do processo, Juíza Federal Salise Monteiro Sanchotene, "as informações nos autos não deixam dúvidas de que houve falha na prestação de serviço por parte do hospital".

"Não foram observados os procedimentos adequados, conforme orientações do Ministério da Saúde, para evitar transmissão, na ocasião do parto, do vírus HIV da parturiente portadora do vírus HIV a seu filho recém-nascido, afirmou a magistrada. O dano moral, neste caso, independe de demonstração do prejuízo, uma vez que este é presumido diante da própria situação vivenciada pela criança, que terá que suportar a doença pelo resto de seus dias, visto que, até o atual momento, a AIDS ainda é uma doença incurável, observou Salise".

A juíza aumentou o valor arbitrado em primeira instância "por entender que deve ser levado em conta não apenas o sofrimento com todo o ocorrido, mas o risco de morte a que a criança está e estará sujeita, a incurabilidade da doença, a necessidade de intenso e contínuo tratamento e as consequentes limitações que terá pela vida". O menor ganhará R$ 170 mil e a mãe, R$ 30 mil de indenização por danos morais, acrescidos de juros e correção monetária. Ainda cabe recurso.