AIDS: FALAR A VERDADE, ENCARAR E MOSTRAR A REALIDADE, NÃO É FALÁCIA, NÃO É TERRORISMO. ISSO SE CHAMA RESPONSABILIDADE!(2)


"Mudanças no corpo são um desafio no tratamento dos pacientes com HIV. No Brasil, um terço dos soropositivos abandonam a medicação".

Neste mês o Brasil recebeu a notícia de que um terço dos brasileiros com HIV rejeita o tratamento: "190 mil pessoas não lutam contra a enfermidade no país". Entre os motivos, um que se destaca são os efeitos colaterais dos antirretrovirais.

Apesar de as drogas "serem cada vez menos tóxicas, ainda não existe, por exemplo, um medicamento que seja absolutamente livre de provocar um dos efeitos mais temidos pelos pacientes com HIV": A alteração da distribuição da gordura corporal também chamada de "lipodistrofia". Como impacta a autoestima, muita gente se sente impelido a abandonar o tratamento, o que dificulta interromper a cadeia de transmissão no país.

Braços, pernas, bumbum e rosto perdem gordura a ponto de, no caso das nádegas, o paciente sentir dor para se sentar. As veias ficam aparentes e o abdômen passa a acumular gordura. Homens e mulheres ganham grandes papadas e, em palavras simples, uma corcunda logo abaixo do pescoço denominada gibosidade dorsal. No caso deles, outra mudança corporal é a ginecomastia ou crescimento das mamas. Veja:

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O incômodo com a mudança na aparência é tão grande que desde 2004 o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a cirurgia plástica reparadora para os pacientes com HIV que sofrem com a lipodistrofia. O problema tem influência direta na qualidade de vida com consequências físicas, psicológicas e sociais. Por isso, a adesão ao tratamento tende a diminuir e o resultado é o pior possível:

"O desenvolvimento de resistência aos antirretrovirais e o aumento da morbimortalidade, ou seja, incidência da doença e taxa de mortalidade na população".

Infelizmente, "em Minas Gerais", o procedimento ainda não é uma realidade na rede pública. Segundo a secretaria municipal de saúde, a Rede SUS-BH ainda não realiza a cirurgia para corrigir a lipodistrofia, mas segundo o órgão, o Hospital Eduardo de Menezes, da rede FHEMIG, encontra-se em processo de credenciamento junto ao Ministério da Saúde. A secretaria estadual confirma o credenciamento da instituição citada e afirma que o Hospital das Clínicas da UFMG e o Hospital Universitário de Juiz de Fora também aguardam essa aprovação.

Em 1995, Silvana(nome fictício) foi surpreendida pela infecção por HIV. "Meu marido sabia que tinha o vírus, mas não me contou. Quando foi internado já com a doença, o médico me informou do diagnóstico e pediu para que eu fizesse o exame. Ele já estava em estado terminal", recorda-se. Na época, ela era mãe de um menino de 6 anos e, mais do que receber uma sentença de morte, viu a vida do pai de seu filho ser interrompida. A mulher de 42 anos relata que o companheiro era usuário de drogas e acredita que possa ter compartilhado alguma seringa com alguém contaminado.

"Quando descobri não existia sequer medicamento. Não tinha contagem de carga viral, a gente fazia exame de sangue de tempos em tempos, os médicos mandavam os pacientes para casa e ficávamos esperando a morte chegar. O AZT (um dos primeiros medicamentos contra o HIV) só surgiu em 96, diz. Desde então Silvana está medicada".

Entre 2009 e 2010 começou a sentir a diferença na distribuição da gordura corporal. "Eu sempre fiz academia, gosto de correr, mas comecei a apresentar perda muscular nas pernas, quadril e braços. O médico que me acompanha pediu exames de carga viral para saber se tinha alguma alteração, mas estava indetectável", conta. Um ano depois de constatada a lipodistrofia Silvana conseguiu a cirurgia pelo SUS, no Hospital Heliópolis, em São Paulo, e colocou implante de silicone nos glúteos, fez redução de mamas e preenchimento no rosto. "Atualmente, corro atrás da minha forma física, faço musculação todos os dias e acompanhamento com nutricionista e endocrinologista. Tem que ter força de vontade", acredita.

Ela conta que a mudança da aparência é um grande revés no tratamento. "No começo foi difícil, levantar e me olhar no espelho, ver meu rosto se modificar e ter que assim mesmo encarar, lutar e trabalhar. É uma barra olhar a própria imagem e não se reconhecer. Foi complicado, ainda estou na fase de adaptação, mas devagar a autoestima melhora", espera. Silvana admite que o tratamento tem, sim, a parte ruim, principalmente da estética. Mesmo assim, segundo ela:

"A qualidade de vida é mil vezes melhor".

O que as pessoas precisam pensar "é que é possível trocar o medicamento quando o paciente não se adapta". Hoje em dia as coisas estão muito melhores para quem têm HIV, "só não conseguimos ainda superar o preconceito, principalmente no mercado de trabalho", pondera. Atualmente, Silvana trabalha com a irmã que é dona de um bufê de festas.

"Tenho um amigo que abandonou o tratamento neste ano por causa da lipodistrofia, adoeceu e faleceu, narra".

Por essa razão, o recado de Silvana é simples:

"Por mais difícil que seja, por mais que seja complicado levantar de manhã, o tratamento vai fazer bem. No começo, principalmente, não é fácil, é muito efeito colateral. A gente precisa trabalhar com diarreia, vômito e dor abdominal, mas depois que acerta o antirretroviral fica mais fácil. O pensamento, já que vou morrer, pelo menos não quero sentir nada, é errado. Na verdade, você vai sentir tudo isso e muito mais. É um engano, reforça".

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Daniela Pinho é especialista em cirurgia plástica reparadora para pacientes com lipodistrofia.

"Segundo ela, a alteração na distribuição da gordura corporal atinge '42% dos pacientes com HIV' e está muito associada aos antirretrovirais. No entanto, apesar de não existirem estudos que comprovem, o componente genético pode favorecer a manifestação dessa síndrome".

Em razão dessa forte associação, "o primeiro passo para tentar barrar a lipodistrofia é trocar a medicação". Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano lembra que "a mudança só é inviável em casos de pacientes que têm vírus muito resistentes, porque sobrariam poucas opções".

Se depois de realizada a troca, a estratégia não for bem-sucedida, o paciente pode se candidatar à cirurgia reparadora. "No entanto, é imprescindível que a pessoa esteja fazendo uso da medicação, seja acompanhada por um infectologista e esteja com a doença controlada".

"Ou seja, aqueles que estão com Aids (a manifestação aguda dos sintomas do HIV), estão excluídos em função do risco cirúrgico. Lembrando que ser HIV positivo é diferente de ter a doença. Outras restrições à cirurgia reparadora são o uso de anticoagulantes, gravidez e infecção por hepatite C".

Daniela Pinho afirma que muitos pacientes deixam de usar a medicação em função das mudanças no corpo. "São alterações na aparência que estigmatizam os pacientes com HIV, muitos ficam revoltados e preferem a doença, o que aumenta a resistência do vírus, a proliferação e o risco de contaminação", diz. Além da questão da autoestima, a especialista lembra que a cirurgia reparadora é um procedimento importante porque aumenta a adesão dos pacientes ao tratamento. Segundo ela, a reconstrução do glúteo com a colocação de próteses de silicone é a cirurgia plástica reparadora mais procurada pelos pacientes soropositivos.

Outros procedimentos realizados com o objetivo de minimizar os efeitos da lipodistrofia são: "lipoaspiração, correção de ginecomastia, mamoplastia redutora feminina por lipodistrofia e o preenchimento cutâneo da face com polimetilmetacrilato (PMMA)". Daniela Pinho, que trabalhou muitos anos no Hospital Heliópolis, em São Paulo, instituição que é referência em cirurgia plástica para lipodistrofia, "diz que a espera pode ser longa e um mesmo paciente pode precisar de mais de um tipo de cirurgia".

É importante saber também que, mesmo após os procedimentos cirúrgicos, o paciente vai continuar sofrendo a influência da medicação no corpo. "Por isso, além da cirurgia, o tratamento da lipodistrofia associada ao HIV envolve mudanças no estilo de vida, com exercício físico e orientação nutricional, redução na exposição às drogas com modificação da terapia antirretroviral e tratamento farmacológico das alterações metabólicas associadas".

O tratamento cirúrgico das alterações corporais da lipodistrofia para pacientes com HIV foi incluído no SUS em 2004, pela Portaria Ministerial nº 2.582. Atualmente, está em vigor a Portaria Conjunta SAS/SVS nº 01, de 20 de janeiro de 2009, que trata das indicações cirúrgicas, normas para o credenciamento dos hospitais e ambulatórios, estrutura física e recursos humanos para o tratamento reparador das alterações corporais relacionadas à lipodistrofia.

A portaria vigente contempla os seguintes procedimentos reparadores:

 Preenchimento facial com polimetilmetacrilato (PMMA);
 Lipoaspiração de gibosidade cervical, submandibular, abdominal ou dorsal;
 Redução de mamas ou ginecomastia;
 Implante de prótese glútea com lipoenxertia e/ou polimetilmetacrilato.

Fonte/Link: Sites Uai/Saúde Plena

Quando o assunto é uma "doença séria e grave como a AIDS", falar a verdade, encarar e mostrar a realidade, não é falácia, não é terrorismo. Isso se chama RESPONSABILIDADE!

"ADESÃO AO TRATAMENTO DO HIV/AIDS NO BRASIL: GT DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PROPÕE ESTRATÉGIAS PARA 2015"


O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde sediou na última quarta-feira (10/12/2014), a primeira reunião do novo Grupo de Trabalho de Adesão (GT), dedicado a um tema "absolutamente crucial ao sucesso do tratamento com antirretrovirais (TARV) e à qualidade de vida dos pacientes diagnosticados com HIV":

"A adesão ao tratamento"

Ao todo, 20 pessoas, entre profissionais de saúde, representantes da sociedade civil, pesquisadores e técnicos do Ministério, foram convidadas a integrar o grupo, mas este número poderá aumentar, explica o coordenador de Assistência e Tratamento (CAT), Marcelo Freitas.

Segundo Freitas, o Grupo de Trabalho(GT) representa uma oportunidade para discutir o tema, já pauta prioritária do Departamento há alguns anos, mas passível de constante readequação para adaptar-se aos novos contornos da epidemia de HIV/AIDS no Brasil, e trocar ideias e estratégias que permitam que a adesão seja aprimorada no país. "O Brasil foi o terceiro país no mundo a aderir à estratégia Testar e Tratar, da Organização Mundial da Saúde, e a partir dela passamos a testar e a tratar mais gente, só que este esforço é inócuo se não houver adesão", observa Freitas.

A consultora reitera o quanto é complexo monitorar a adesão dos pacientes ao tratamento, mas que o fato de o Brasil ser um país de notificação compulsória contribui para que se saiba quantos pacientes, enfim, aderiram ou não ao TARV:

"Após seis meses de tratamento, só há duas explicações para a carga viral do paciente não estar indetectável: Ou o esquema de medicamentos precisa ser readequado, ou o paciente não aderiu corretamente a ele, explica o coordenador".

Por meio do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos Antirretrovirais (Siclom), também, é possível saber quando houve má adesão (no caso de o paciente não ir à consulta por sete dias, ou não buscar o medicamento por 90 dias) ou abandono (no caso de não buscar o medicamento por mais de 90 dias) do tratamento.  O Siclom conta com um alerta que adverte os profissionais de saúde sobre casos como estes.

Em um país tão vasto e multifacetado quanto o Brasil, há incontáveis particularidades, muitas vezes inerentes ao perfil cultural dos pacientes, que dificultam a adesão. Segundo Marcelo Freitas, "é preciso que os profissionais sejam sensíveis à rotina dos pacientes, para assim garantir a adesão. Em alguns casos, a religião pode ser uma ponte; em outros, como no caso de pessoas em situação de rua, os ciclos de claridade do dia são referência".

"Idéias"

Durante a reunião do GT foram apresentadas várias ideias para aprimorar a adesão dos pacientes ao TARV no Brasil. "Entre elas novas campanhas nacionais, a colocação de uma aba sobre o tema na primeira página do site do Departamento de Aids (para profissionais de saúde) e a criação de aplicativos para smartphone para ajudar os pacientes a se lembrarem de buscar e tomar o medicamento". Queremos que as pessoas tenham o hábito de tomar o remédio, "porque a eficácia do antirretroviral está condicionada à rotina", reitera Freitas.

"De fato, estudos indicam que a eficácia do tratamento, expressa nos níveis de supressão viral, exige que o uso do esquema terapêutico deve ser alto, isto é: A maioria das doses prescritas têm de ser tomadas".

A distribuição do novo medicamento "3 em 1" por todo o país, "por enquanto disponível  apenas no Amazonas e no Rio Grande do Sul", também promete contribuir para melhorar o processo. As novas iniciativas oriundas dos esforços do Grupo de Trabalho de Adesão serão divulgadas nos próximos meses.

"CASOS DE AIDS EM MULHERES DE 13 A 19 ANOS SUPERA OCORRÊNCIAS EM HOMENS"


Por: Fernanda da Costa

"Embora casos de Aids sejam mais notificados em homens no país, há uma faixa etária em que o vírus tem sido mais incidente em mulheres: dos 13 aos 19 anos. A vulnerabilidade das adolescentes brasileiras preocupa organizações feministas, que pedem políticas de prevenção específicas".

O alerta foi publicado em um relatório de monitoramento da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em 12/12/2014. A publicação contou com a participação de 13 movimentos que lutam pelos direitos das mulheres no país.

O estudo mostrou que, entre 2008 e 2011, "o índice de novos casos do vírus só foi maior em mulheres do que homens na faixa etária dos 13 aos 19 anos", e por isso o alerta para a necessidade de estratégias de prevenção específicas. "Outro dado destacado no estudo foi que 96% dos casos de Aids em mulheres registrados em 2012 foram transmitidos por via sexual, ou seja, sexo desprotegido".

A pesquisa também afirma que há uma clara associação entre o sexo não consentido com a infecção pelo vírus. Mulheres vítimas de estupro enfrentam um risco 50% maior de serem contaminadas pelo HIV, conforme o estudo. Por isso, organizações de defesa das mulheres pedem que o governo produza dados que incluam a violência sexual em seus levantamentos sobre Aids.

"O relatório de monitoramento da Cedaw também alerta para o aumento da incidência de sífilis no país. A pesquisa informa que a prevalência da doença em mulheres em trabalho de parto ou pós-parto é quatro vezes maior que a da infecção pelo HIV, devido ao pré-natal de baixa qualidade e deficiência na formação médica".

A Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher completa 35 anos em 2014, mas apenas em 2002 o país ratificou a legislação. Foi apenas a partir dessa ratificação que o governo se comprometeu a atender as recomendações da ONU e enviar relatórios periódicos à organização sobre suas políticas públicas de atenção às mulheres.

O relatório divulgado nesta sexta-feira contém as respostas do governo às recomendações da Cedaw, a análise de 13 organizações de defesa da mulher sobre as ações voltadas ao gênero e artigos sobre direitos das mulheres. Divulgada em Porto Alegre, a publicação é o segundo volume escrito pelo projeto de monitoramento da convenção.

As organizações que produziram o estudo foram: Coletivo Feminino Plural; Comitê da América Latina e do Caribe para os Direitos da Mulher (Cladem/Brasil); Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Mulher e Gênero (NIEM/UFRGS); Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos; Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras; Associação Casa da Mulher Catarina; Comissão de Cidadania e Reprodução; ECOS Comunicação em Sexualidade; Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero; Instituto Brasileiro de Inovações Pró-Sociedade Saudável/CO; Instituto Mulher pela Ação Integral à Saúde e Direitos Humanos (IMAIS); Plataforma DHESCA Brasil e THEMIS Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero.

"MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO AMPLIA COMBATE À DISCRIMINAÇÃO DE PESSOAS QUE VIVEM COM HIV NOS LOCAIS DE TRABALHO"


Brasília, 11/12/2014 - O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou nesta quinta-feira (11) a PORTARIA Nº 1.927 no Diário Oficial da União fixando orientações para combater a discriminação de pessoas com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e Aids nos locais de trabalho. Segundo Fernando Donato Vasconcelos, diretor substituto do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), da Secretaria de Inspeção do MTE:

A portaria estabelece regras para cumprimento da Recomendação 200 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovada em 2010, "devendo ser aplicada para proteção de todos os trabalhadores e em todos os locais de trabalho, inclusive estagiários, aprendizes, voluntários e pessoas à procura de emprego, abrangendo todos os setores da atividade econômica, incluindo os setores privado e público e as economias formal e informal, forças armadas e serviços uniformizados".

Para Vasconcelos, que representou o Brasil na Comissão que redigiu a Recomendação da OIT em Genebra, "o tema agora não é tratado apenas como recomendação ou orientação, pois, a Portaria estabelece sanções para as práticas discriminatórias relacionadas ao HIV e Aids no trabalho". Ressalta o dirigente que "a verificação pelos auditores fiscais do trabalho de casos de discriminação por parte de empregadores poderá resultar em multa administrativa de dez vezes o valor do maior salário pago pelo empregador, elevado em cinquenta por cento em caso de reincidência".

Segundo a norma, "o ambiente de trabalho deve ser seguro e salubre, a fim de prevenir a transmissão do HIV no local de trabalho. Quando existir a possibilidade de exposição ao HIV no local de trabalho, os trabalhadores devem receber informação e orientação sobre os modos de transmissão e os procedimentos para evitar a exposição e a infecção".

As medidas de sensibilização devem enfatizar que "o HIV não é transmitido por simples contato físico e que a presença de uma pessoa vivendo com HIV não deve ser considerada como uma ameaça no local de trabalho". Deverão ainda ser tomadas medidas no local de trabalho, ou por meio dele, para reduzir a transmissão do HIV e atenuar o seu impacto.

"A portaria estabelece que é prática discriminatória exigir dos trabalhadores, incluindo os migrantes, pessoas que procuram emprego e candidatos a trabalho, testes para HIV ou quaisquer outras formas de diagnóstico. Além disso, testes diagnósticos devem ser voluntários e livres de coerção. Nenhum trabalhador pode ser obrigado a realizar o teste de HIV ou revelar seu estado sorológico".

Não pode haver discriminação ou estigmatização dos trabalhadores, "em particular as pessoas que buscam e as que se candidatam a um emprego, em razão do seu estado sorológico relativo ao HIV, real ou suposto, ou do fato de pertencerem a regiões do mundo ou a segmentos da população considerados sob maior risco ou maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV".

De acordo com a norma, "os resultados dos testes de HIV devem ser confidenciais e não podem comprometer o acesso ao emprego, estabilidade, segurança no emprego ou oportunidades para o avanço profissional. Os trabalhadores, incluindo os migrantes, os desempregados e os candidatos a emprego, não podem ser coagidos a fornecer informações relacionadas ao HIV sobre si mesmos ou outros".

De acordo com a portaria, "o estado sorológico de HIV não pode ser causa de demissão, e as ausências temporárias por motivo de doença ou para cuidados relacionadas ao HIV e à Aids devem ser tratadas da mesma maneira que as ausências por outros motivos de saúde".

Às pessoas com doenças relacionadas ao HIV "não deve ser negada a possibilidade de continuar a realizar seu trabalho enquanto são clinicamente aptas a fazê-lo. Além disso, devem ser estimuladas medidas para realocá-las em atividades adaptadas às suas capacidades, apoiada sua requalificação profissional para o caso de procurarem outro trabalho ou facilitar o seu retorno ao trabalho".

A portaria cria, no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, a Comissão Participativa de Prevenção do HIV e Aids no Mundo do Trabalho (CPPT – Aids), com o objetivo de desenvolver esforços para reforçar as políticas e programas nacionais, inclusive no que se refere à segurança e saúde no trabalho, ao combate à discriminação e à promoção do trabalho decente, "bem como verificar o cumprimento da norma". Segundo Vasconcelos, além de representantes governamentais, de empregadores e de trabalhadores, a comissão terá a participação de representantes de organizações de pessoas vivendo com HIV ou de entidades de prevenção da Aids, da entidade nacional de medicina do trabalho e de entidades associativas relacionadas aos direitos trabalhistas.

Para visualizar a portaria "clique aqui".

"PRESENÇA DE FARMACÊUTICO CLÍNICO, AUMENTA DE 16% PARA 57%, A ADESÃO DOS PACIENTES AO TRATAMENTO DO HIV/AIDS"


"Ação de farmacêutico aumenta adesão ao tratamento da AIDS"


Por: Rosemeire Soares Talamone


A presença de um farmacêutico clínico na equipe multiprofissional que trata pacientes diagnosticados com HIV/AIDS, "foi responsável por aumentar de 16% para 57% a adesão dessas pessoas ao tratamento, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP". Outra resposta positiva a essa ação,"foi o aumento significativo dos linfócitos T CD4+ e consequentemente o percentual de pessoas com carga viral indetectável, de 21% para 52%". A função desse farmacêutico clínico foi "especificamente de atender pacientes com problemas de adesão e aqueles que iniciaram a terapia antirretroviral, ou seja, aqueles com diagnóstico recente".

É o que revela a farmacêutica Lilian Pereira Primo, em trabalho desenvolvido para o Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Organizações de Saúde, oferecido em parceria entre a FMRP e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP. "O trabalho de acompanhamento dos pacientes com má adesão à Terapia Antirretroviral começou em 2012 e perdurou por doze meses com o intuito de avaliar o impacto da inserção do farmacêutico clínico na equipe multidisciplinar na Unidade Especial de Tratamento de Doenças Infecciosas (UETDI)".

A farmacêutica afirma que o paciente sempre teve orientações quanto à doença e o tratamento. "Entretanto, devido às inúmeras atividades dos profissionais envolvidos, eles não conseguiam se dedicar exclusivamente ao atendimento do paciente voltado para a adesão". Com o farmacêutico clínico, as orientações da equipe ao paciente continuam, mas com o diferencial da presença do farmacêutico clínico, que se dedica exclusivamente a orientar esse paciente. "Cada consulta individualizada, paciente e farmacêutico clínico, demora entre 20 minutos e 1 hora, dependendo da necessidade apresentada pelo paciente".

"Acreditamos que esta tenha sido a diferença quando avaliamos o impacto do atendimento do farmacêutico clínico na adesão. Ainda, segundo a farmacêutica, as dificuldades do paciente em aderir ao tratamento eram as mais diversas. "Desde a insatisfação por terem que usar o medicamento continuamente, passando pela não aceitação da condição de infectado pelo HIV, até o uso de álcool". Para reverter esse quadro, "as ações do farmacêutico foram especialmente a de orientar sobre a forma de tomar os medicamentos, os efeitos colaterais e o envio de mensagem de texto, torpedo ou MSN, para lembrar esses pacientes sobre o dia de sua consulta e para a retirada dos medicamentos".

Após os 12 meses de seguimento, entre os 63 pacientes que já estavam em tratamento, "a taxa de adesão pulou de 16% para 57%, e o número de pessoas com carga viral indetectável, que é o melhor indicador de controle de infecção, passou de 21% para 52%", comemora Lilian.

Já entre aqueles que iniciavam o tratamento com antirretrovirais, "69% tiveram boa adesão e 91%, queda significativa da carga viral. O maior desafio nesse grupo, diz a pesquisadora, é fazê-los aceitar a doença e reconhecerem a necessidade do tratamento", afirma.

Para a definição de boa adesão, a pesquisadora, avaliou o percentual de retirada de medicamentos antirretrovirais na farmácia. "Boa adesão foi considerada para o paciente que retirou pelo menos 10 das 12 prescrições feitas pelo médico. Esse parâmetro é do Ministério da Saúde e obtivemos a informação a partir do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM) para pessoa com HIV/AIDS, na farmácia da UETDI", diz Lilian.

A pesquisadora conclui que a intervenção farmacêutica influenciou decisivamente na adesão e consequentemente na supressão da carga viral e aumento da CD4+ dos pacientes estudados. "O controle da doença tem significado menos internações e uma vida saudável e produtiva para estes pacientes". O título do trabalho desenvolvido por Lilian é Gestão do Cuidado em HIV/AIDS: resultados do impacto da atuação do farmacêutico clínico na adesão à terapia antirretroviral. Foi orientado pelo professor Valdes Roberto Bollela e ficou com o primeiro lugar na décima quarta Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (14º Expoepi), na área de Vigilância, Prevenção e Controle das DSTs, HIV/AIDS e hepatites virais.