"MASSA CORPORAL DIMINUI RISCOS PARA QUEM VIVE COM HIV"

"Soropositivos com IMC (ÍNDICE DE MASSA CORPORAL) mais elevado têm um menor risco de morte e de contrair tuberculose"

Pesquisadores sul-africanos publicam na edição online da revista AIDS que as pessoas soropositivas para o HIV que são obesas ou têm excesso de peso, têm menor probabilidade de morrer ou de desenvolver tuberculose, em comparação com as pessoas que vivem com HIV e têm peso normal.
“As nossas conclusões demonstram um claro efeito protetor do IMC (índice de massa corporal) aumentado em ambas as causas, mortalidade ou incidência de TB (tuberculose), numa coorte sul-africana”, comentam os pesquisadores. Eles acrescentam que “uma pessoa obesa ou com IMC aumentado tem um risco significativamente mais baixo, quer de morrer quer de contrair TB”.
Investigações recentes de países industrializados demonstraram que o IMC está fortemente associado ao risco de progressão de doença e de morte em pacientes que vivem com HIV. Apesar de o excesso de peso e a obesidade serem comumente associados a doenças, neste caso, parece ser protetor contra o risco de morte.
Contudo, a relação entre o IMC e o risco de morte associado ao HIV ou TB não tem sido estudado em países com recursos limitados. Assim, os pesquisadores do South African Porinatal HIV Research Unit (PHRU) conduziram um estudo prospectivo que envolveu a participação de 3.456 adultos soropositivos para o HIV em Soweto.
Foram monitorizados entre 2003 e 2008. No início do estudo e em cada visita, os participantes eram pesados e o IMC calculado. Os pacientes com IMC abaixo de 18,5 eram categorizados como abaixo do peso médio; aqueles com IMC de 18,6 - 25 eram categorizados como peso médio; o IMC de 25,1 - 30 era classificado como excesso de peso; e os que tinham IMC acima de 30 eram considerados obesos.
No início do estudo, os pacientes eram questionados sobre o histórico de TB e, a cada visita, perguntado se tinham algum sintoma da infecção. Os pacientes contribuíram com um total de 8.038 pessoas/ano em acompanhamento. Durante este período, houve 280 mortes, correspondendo a uma taxa de mortalidade de 3,5 por 100 pessoas/ano. A taxa de mortalidade diferiu de acordo com o IMC dos pacientes.
Foi mais elevada entre os pacientes que tinham peso abaixo da média (10,4 por 100 pessoas/ano). A taxa de pacientes com peso médio foi de 3,6 por 100 pessoas/ano. Taxas mais baixas de mortalidades foram observadas mesmo em pacientes com excesso de peso (1,7 por 100 pessoas/ano) e obesos (1,6 por 100 pessoas/ano).
Os pesquisadores calcularam que os pacientes que tinham excesso de peso ou obesos no início do estudo, tinham um risco reduzido de morte quando comparados com aqueles que tinham peso médio no mesmo período. A acrescentar, os valores mais recentes do IMC foram também associados a um risco de mortalidade. Mais uma vez, comparando as pessoas com peso médio, os pacientes que tinham excesso de peso e os obesos tinham menor risco de morte.
Em seguida, os pesquisadores analisaram a relação entre o IMC e o risco de TB. A prevalência da infecção na visita inicial era de 8% e, durante o acompanhamento, a incidência de TB correspondeu a 4,5 por 100 pessoas/ano. No entanto, tal diferiu de acordo com o IMC.
Foi maior entre as pessoas com menor peso (7,3 por 100 pessoas/ano). A incidência, depois, baixou, com o aumento do IMC (peso médio: 6 por 100 pessoas/ano; excesso de peso: 3,2 por 100 pessoas/ano; obesidade: 1,9 por 100 pessoas/ano).
Análises estatísticas demonstraram que a medição do IMC inicial foi significativamente associada ao risco de TB. Comparando com os pacientes com peso normal, este foi menor em pacientes com excesso de peso e obesos. O IMC atual foi também fortemente associado ao risco de contrair TB e, mais uma vez, quando comparado com os pacientes com peso médio, o risco foi fortemente reduzido nos pacientes que tinham excesso de peso ou obesos.
Nenhuma destas conclusões foi significativamente afetada pelo ajuste de fatores como a contagem de células CD4, terapêutica antirretroviral, histórico prévio de TB, idade, gênero, renda ou uso de isoniazida como terapêutica de prevenção.
“O IMC poderá ser um útil marcador de substituição do risco de TB ou de morte nas pessoas que vivem com HIV”, concluem os pesquisadores, “mas são necessários estudos urgentes para marcar o fator protetor e lidar com as complicações de saúde que poderão resultar de um IMC elevado”.

FONTE : AIDSMAP

3 comentários:

Fabiano disse...

Oi, Alexandre! Tudo bem? Uma vez meu médico me confidenciou que por eu ser uma pessoa com excesso de peso, mas estar com meus triglicérides e colesterol sempre em niveis muito bons, os remedios ARVS não dão efeitos colaterais como nos mais magros ou nas pessoas com problemas de taxas.
Minha saúde por enquanto está a mil e o meu peso equilibrado sempre nos 98kg (eu tenho 1,84).
Abraços. FabianoCaldeira.

Alexandre disse...

Oi Fabiano, tudo bem obrigado. Quando li essa matéria também comparei comigo e fazendo uma comparação, quando eu estava com o peso normal, digamos assim, meu cd4 e carga viral oscilavam muito, mas quando passei a ter um peso mais acima desse 'normal', o cd4 nunca mais esteve abaixo de 700 e a carga viral estabilizou em 'indetectável', e isso já faz mais de 5 anos.
É claro que sabemos que cada organismo reage de forma diferente, porém 'eu e você' ou nossos organismos, dão razão as pesquisas dessa matéria.

Um grande abraço e obrigado pelas visitas e comentários.

Alexandre

Anônimo disse...

meu indice esta em 18,71 vou ter qe engordar então, abraço a todos