85% DAS PESSOAS QUE VIVEM COM HIV/AIDS NO CONGO, NÃO TÊM ACESSO AO TRATAMENTO!
Às vésperas do 10° aniversário do Fundo Global de Combate à Aids, Malária e Tuberculose, celebrado no dia 28 de janeiro, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está muito preocupada com a situação dos pacientes com HIV/AIDS na República Democrática do Congo (RDC).
Em função da falta de prioridade dada à questão da doença no país, por parte das autoridades congolesas, e da saída de doadores do Fundo, as condições de acesso ao tratamento para pacientes com HIV/AIDS na RDC são péssimas. No Centro Hospitalar de Kabinda (CHK), em Kinshasa, capital do país, a MSF observou um grande aumento no número de pacientes com sérias complicações decorrentes da falta de tratamento. O estágio avançado da doença nesses pacientes causa um sofrimento, que para MSF, é inaceitável. “Eu trabalhei com pacientes soropositivos em muitos países africanos, mas a realidade que estou observando na RDC é algo que não acontecia há anos em nenhum outro local”, disse Anja De Weggheleire, coordenadora médica da MSF na RDC.
“A situação aqui me lembra a época em que o tratamento com os antirretrovirais (ARV's) ainda não estava disponível. Nossos médicos têm que tratar sérias complicações que poderiam ser evitadas se os pacientes tivessem acesso ao tratamento desde cedo”.
Estima-se que o número de pessoas com HIV na RDC já passe de 1.000.000 (um milhão). Desse total, 350.000 (trezentos e cinquenta mil) poderiam se beneficiar do tratamento com os ARV's. Entretanto, no momento, apenas 44.000 (quarenta e quatro mil) estão recebendo tratamento, o que significa que a taxa de cobertura dos ARV's fica em torno de 15%, uma das mais baixas do mundo (dentre todos os países africanos, apenas a Somália e o Sudão apresentam um valor parecido). A RDC também é uma das duas piores colocadas dentre todos os países da África ocidental central com relação “à prevenção da Transmissão do HIV da Mãe para o bebê, apenas 1% das grávidas soropositivas tem acesso a esse tipo de tratamento no país. Sem tratamento, aproximadamente um terço dos bebês expostos ao vírus nascerá com HIV”.
Apesar destes indicadores desastrosos, não foi dada à RDC a prioridade devida. E o pior: alguns doadores, como o Fundo Global, estão retirando ou reduzindo drasticamente o financiamento oferecido. Como os países que financiam o Fundo não cumpriram suas promessas, o órgão teve que reduzir as atividades, inclusive na RDC, onde é o principal fornecedor de medicamentos antirretrovirais. Esta saída dos doadores é uma ameaça direta à vida de milhares de pessoas na RDC.
“Se nada for feito, é muito provável que as 15.000 (quinze mil) pessoas que estão na lista de espera e que precisam receber medicamentos (ARV's)urgentemente estejam mortas em três anos. E por mais horríveis que esses números sejam, eles representam apenas a “ponta do iceberg” se pensarmos que a maioria das pessoas com HIV/AIDS na RDC não tem consciência de sua condição, e que muitas vão morrer em silêncio, negligenciadas, disse Anja”.
É essencial que as autoridades congolesas honrem seu compromisso de oferecer serviços de prevenção e tratamento gratuitos para as pessoas que vivem com HIV/AIDS no país. Também é fundamental que todos os doadores mobilizem imediatamente os recursos necessários para garantir que os pacientes que precisam de tratamento antirretroviral não morram na fila de espera. A MSF está presente na RDC há mais de 30 anos, e tem programas de HIV/AIDS desde 1996. Em outubro de 2003, a organização foi a primeira a oferecer tratamento (ARV's) gratuito para pacientes com a doença no país. Por meio de seus programas de cuidados e apoio médico e de seu projeto de HIV em Kinshasa, a MSF atende mais de cinco mil pacientes em seis províncias, cerca de 10% do total de pessoas recebem tratamento antirretroviral na RDC. Na capital, a organização trata 20% de todos os pacientes em tratamento. Em 2012, MSF deu início a uma campanha para conscientizar as pessoas sobre a grave situação dos pacientes com HIV/AIDS na República Democrática do Congo e encorajar todos agentes e órgãos responsáveis a expandir o tratamento com os ARV's.
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