UMA MULHER É INFECTADA PELO VÍRUS HIV A CADA MINUTO!

Isabel, uma avó em Moçambique, cuida de sua neta de seis meses de idade cuja mãe morreu de uma doença relacionada à aids. Foto: ONU
(Isabel, uma avó em Moçambique, cuida de sua neta de seis meses cuja mãe morreu de uma doença relacionada à Aids - Foto: ONU)

"Apesar do número de novas infecções pelo HIV ter diminuído globalmente, uma mulher é infectada pelo HIV a cada minuto, afirma ONU"

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou que: "apesar de o número de novas infecções pelo HIV ter sido reduzido em um quinto globalmente desde 2001, uma mulher ainda é infectada pelo vírus a cada minuto". O pronunciamento foi feito durante a Assembleia Geral que discutiu os avanços no combate à epidemia de Aids no mundo. "Ele também pediu a revogação das leis que impedem a entrada, estadia e residência de pessoas que vivem com HIV em cerca de 45 países e territórios". 

"Ban Ki-moon afirmou que apesar do cenário mundial de combate à doença ser positivo no geral, as mulheres e meninas ainda apresentam um risco inaceitável de serem infectadas. Ao mesmo tempo, o acesso ao tratamento continua particularmente baixo, menos de um terço das crianças vivendo com HIV recebem o tratamento que precisam. Agora nós temos que expandir a terapia antirretroviral. Isso é um direito humano e uma medida de saúde pública necessária. O tratamento previne as doenças e salva vidas. Nós diminuímos os preços de muitos medicamentos dramaticamente e continuaremos a pressionar para melhores resultados, completou".

"Ele também pediu maior financiamento para os programas que ajudem as populações chave, como as profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas, da mesma forma para eliminar o estigma e preconceito ligados ao HIV e a esses grupos".

"Sobre os governos e líderes de comunidades que ainda possuem leis e políticas que criminalizam essas populações, ele disse que isso as força a viver num submundo, além de ser discriminatório e contraprodutivo, uma vez que afasta as pessoas da informação, testagem, tratamento, cuidados e serviços que prestam suporte". 

Eu digo constantemente que os direitos humanos "são universais e devem ser respeitados universalmente", completou Ban Ki-moon.

"No Brasil, a informação preocupa por causa do momento de conservadorismo e crise no Departamento, afirmam ativistas"

Para as ativistas Nair Brito e Silvia Almeida do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e Marta McBritton, coordenadora do projeto Barong, ouvidas pela "Agência de Notícias da Aids", a notícia, "além de ser triste, representa uma grande preocupação por causa do momento conservador e da crise do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, causada pela exoneração de seu diretor, Dirceu Greco, depois da veiculação da peça publicitária 'sou feliz sendo prostituta' e da demissão em solidariedade de seus adjuntos".

"Marta explica que, falando de Brasil, as mulheres ainda têm vergonha de comprar camisinha, ainda têm 'o pensamento mágico' de que ela não é necessária em uma relação quando se ama, entre outros, que são fatores culturais e que levam a mulher a ficar mais exposta ao vírus".

Eu acredito que quanto mais precoce for o ensino nas escolas e na comunidade, mais chances temos de enfrentar essa estatística. "Enquanto as pessoas acreditarem que informação incentiva o sexo, esse cenário só vai piorar. Quando as pessoas têm informação, têm consciência, elas se previnem. Isso assusta ainda mais nesse momento conservador que estamos vivendo quando falamos de políticas e campanhas de prevenção, há um risco muito grande de retrocesso", opina.

"Silvia afirma que se as mulheres, que normalmente vem de um contexto de dependência financeira, desconhecimento e até baixa estima, tiverem que optar entre a o relacionamento e fazer sexo seguro, é bem provável que elas escolham a primeira opção. A educação nesse sentido, segundo ela, é muito frágil, e por isso essas mulheres acabam tendo um grande risco de infecção. E ainda existem os casos das mulheres casadas que se acham protegidas pela relação conjugal, e essa segurança é falsa, opinou".

Silvia acredita que uma boa estratégia para abordar a mulher é no ambiente de trabalho, "pois precisam existir políticas para ensinar as mulheres a lidarem com essas situações. Estamos deixando a desejar no sentido de incentivar a prevenção de forma diferente. Para ela, essa situação que a gente está hoje pode ficar pior, porque estamos num país que é exemplo na questão de enfrentamento da epidemia e estamos deixando as nossas campanhas retrocederem, ficar só no 'use camisinha' a gente sabe que não adianta muito".

Para Nair Brito, esses números (uma nova infecção por minuto) são a ratificação do que já vem sido ao levantado ao longo de algum tempo. Essa é uma emergência global e apresenta-se como um grande desafio para o desenvolvimento e para os direitos humanos. Segundo ela, no Brasil, as ações no sentido de enfrentar a epidemia caminham em passos lentos, quando caminha. Me canso um pouco de notícias assim porque muito pouco do que foi falado e assinado pelos governos foi realizado, principalmente na África".

Daqui a pouco, "se continuarmos com essa postura tanto globalmente quanto no Brasil, veremos a mesma estatística, só por meio minuto, depois por segundo, e isso é medonho. Eu não vejo empenho dos governos quanto a efetivação dos programas e o cumprimento de metas internacionais", disse.

"Estamos baixando a guarda no Brasil e eu não sei a razão disso. Essa é uma epidemia longa e que não está controlada, prova disso é o grande número de novas infecções concentrados na população jovem. Baixar a guarda para o cenário de Aids no país, diminuir os investimentos, não usar as chamadas novas tecnologias para prevenção, pode ser um genocídio no futuro. É burrice deixar tudo isso acontecer para depois ter que voltar como era no começo, além de ser péssimo para a sociedade, finaliza".

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