"Efeitos colaterais (assim como a regressão progressiva destes) são normais e esperados durante as primeiras 2 ou 3 semanas de tratamento do HIV/AIDS"


"Você que vive com HIV, leia atentamente as explicações da Dra. Marcia Rachid a respeito dos efeitos colaterais causados pelo tratamento antirretroviral".

Dra. Marcia Rachid: Vou explicar uma coisa importante. Existem testes (exame de sangue) que determinam se a pessoa tem determinados marcadores genéticos (características decorrentes dos genes) e se, por essa razão, apresentará certas reações aos diferentes antirretrovirais. "O problema é que não temos no Brasil, exceto na Rede Privada".

O mais conhecido é um exame que verifica se há a presença de HLA B5701, que se for positivo, significa que é proibido prescrever abacavir porque há risco de grave reação alérgica (não é bem alergia) e até morte. Testes semelhantes existem para os outros remédios. Daria para saber quem teria essas reações ao efavirenz relacionadas ao sistema nervoso central, inclusive depressão.

"O que estou tentando dizer é que só são considerados normais ou esperados, efeitos colaterais que acontecem nas primeiras duas ou três semanas e que regridem progressivamente sem precisar fazer nada. Não pode insistir se persistirem os sintomas, muito menos dar antidepressivos, pois a depressão é causada especificamente pelo efavirenz. Isso serve para a anemia do AZT, para o aumento de bilirrubina do Atazanavir (o branco dos olhos podem ficar amarelados, mas depois some se não for o caso da pessoa não poder tomar), tem também esofagite ou gastrite pelo Atazanavir, diarreia pelo lopinavir etc.Tudo que pode acontecer e que foi visto nos estudos, deve sumir nessa média de 2 semanas. Não adianta ficar tentando consertar. Tem que trocar".

Nos outros países, os testes seriam feitos e seria proibido dar o que já sabe que fará mais mal que bem. "Não adianta, por exemplo, dar vitamina para anemia causada pelo Azt porque não regride. Assim é para todos os efeitos. Por isso, tem gente que não sente NADA com efavirenz, NÃO fica amarelo com Atazanavir, não tem diarreia com lopinavir etc etc".

"Se o médico não sabe disso, lamento. O paciente deve dizer que quer mudar e insistir. É um direito: tratar sem sofrer. Não tem que conviver para sempre com efeitos colaterais que são previsíveis e que cabe ao médico ficar atento".

Há muitas opções e deve ser encontrada a melhor pra cada pessoa. "Também não adianta ficar perguntando pro outro o que sentiu justamente por ser tão individual (diferentes marcadores genéticos). É quase como uma impressão digital".

Até na bula diz isso: Os efeitos são esperados nas primeiras duas semanas e devem desaparecer. Quem engole um comprimido, engole 3 ou 4 juntos ou quantos forem necessários desde que não sinta nada!

Autora: Dra. Marcia Rachid - Infectologista

"A PrEP, um tratamento que utiliza o antirretroviral TRUVADA e que pode evitar a infecção pelos vírus HIV, será incorporada ao SUS em 2016"


"A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), técnica que consiste no uso do antirretroviral TRUVADA por pessoas que não são portadoras do HIV, e que pode evitar a infecção pelo vírus, será incorporada ao SUS (Sistema Único de Saúde)  até fim deste ano (2016)".

A declaração foi feita por Adele Benzaken, diretora do Departamento de Dst, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, durante apresentação na segunda-feira (18/07/2016), na 21ª Conferência Internacional de Aids, em Durban (África do Sul).
"No primeiro ano, a PrEP estará disponível para dez mil pessoas, anunciou Adele".
Adele falou logo após o diretor do Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS), Gottfried Hirnschall. Ela afirmou que o protocolo clínico de incorporação será submetido à consulta pública em agosto. A diretora fez um breve histórico do tratamento antirretroviral no Brasil, contou que o acesso universal foi adotado em 1996 e que a terapia está disponível para todos os diagnosticados, independentemente da contagem do CD4, desde dezembro de 2013.

O medicamento antirretroviral Truvada usado como profilaxia pré-exposição, "se tomado todos os dias é capaz de diminuir em até 92% a chance de se contrair HIV", segundo projeções do iPrEx, principal estudo que mediu sua eficácia. Há, porém, efeitos colaterais. Entre eles: tonturas, dores de cabeça e enjoos. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que: "o remédio deverá ser ofertado em serviços para populações com risco acrescido, como travestis, homens que fazem sexo com homens, transexuais e profissionais do sexo". A estimativa do Ministério da Saúde é de que 10 mil pessoas terão acesso ao medicamento durante o primeiro ano.

A eficácia do medicamento está comprovada. Mas há um ponto sobre o qual ainda há questionamentos. "Trata-se do impacto que o uso do comprimido pode ter no comportamento de quem passa a usá-lo". Pesquisadores se preocupam com o fato do Truvada ter potencial de "estimular o sexo sem camisinha". Michael Weinstein, fundador da Aids Healthcare Foundation, é um dos que veem essa possibilidade. Ele acredita que o medicamento fará as pessoas deixarem de usar preservativo e adotarem comportamentos de risco. Weinstein classifica o remédio como uma droga recreativa.

Os acompanhamentos de grupos que tomam o comprimido feitos até agora, porém, não detectaram essa mudança de comportamento ou foram inconclusivos. Dados coletados pelo iPrEx em 2013 mostram que "as pessoas que passaram a usar o Truvada não deixaram de se proteger". Um outro estudo mais recente, realizado em 2015 por Jonathan E. Volk, pesquisador do Kaiser Permanente San Francisco Medical Center, nos EUA, "detectou uma tendência de baixa no uso de camisinha". O pesquisador, porém, afirma que os dados são inconclusivos, pois não houve grupo de controle, "método científico necessário para isolar e confirmar os efeitos da experiência".
"Órgãos oficiais no Brasil e no mundo destacam que o Truvada não pode ser usado como um substituto da camisinha, já que somente ela (a camisinha) pode prevenir todas as outras DST (doenças sexualmente transmissíveis)".
O iPrEx analisou o Truvada durante três anos em 2.500 homens homossexuais em seis países, incluindo o Brasil. O estudo mostrou que: "quanto maior a regularidade com que se toma o medicamento, maior a taxa de proteção". Há outros estudos sobre a eficácia do comprimido com resultados positivos em diversas partes do mundo.

Desde 2014, voluntários brasileiros tomam todos os dias um comprimido de Truvada. O Ministério da Saúde quer saber a aceitação do medicamento e ver como ele impacta no comportamento dos pacientes. O jornalista Thiago Araújo foi um deles. Ele diz não sentir nenhum dos efeitos colaterais e faz um acompanhamento trimestral no Hospital das Clínicas, em São Paulo. "Entre exames e aconselhamento, Thiago é constantemente lembrado a usar camisinha".

FONTES: MINISTÉRIO DA SAÚDE - NEXO JORNAL

"Cientistas franceses defendem fim das doses diárias de antirretrovirais no tratamento do HIV/AIDS"


"A proposta de um grupo de cientistas da França foi apresentada durante a 21ª Conferência Internacional Sobre Aids, na África do Sul. Cem pacientes receberam o medicamento quatro vezes na semana e 96 deles mantiveram o vírus HIV sob controle".

Criados na década de 1980, os antirretrovirais prolongam significativamente a longevidade dos infectados pelo HIV e diminuem as chances de transmissão do vírus. Versões melhoradas dos medicamentos foram lançadas ao longo dos anos, e cientistas continuam a buscar formas de tornar a abordagem mais eficaz tanto para reduzir os índices de abandono quanto para aliviar os efeitos colaterais do tratamento, "que dura toda a vida".
"Reduzir a quantidade de comprimidos pode, segundo especialistas, aumentar a adesão do tratamento".
Uma equipe da Agência Nacional Francesa de Pesquisa em HIV, Aids e Hepatites Virais (ANRS) apresentou ontem (19/07/2016), na conferência, resultados de um estudo propondo que: "A ingestão dos medicamentos antirretrovirais deixe de ser diária. A pesquisa, testada em 100 voluntários, apresentou resultados promissores".

Os voluntários passaram a ingerir os medicamentos "quatro vezes por semana durante 48 semanas" e foram acompanhados por uma equipe liderada por Christian Perronne, do Hôpital Raymond Poincaré, na França, e integrante da ANRS. "A intenção era saber se, com esse tipo de abordagem, seria possível manter a carga viral plasmática abaixo de 50 cópias/ml, considerada indetectável". Os voluntários tinham sido tratados com uma combinação tripla de antirretrovirais em média durante cinco anos e apresentavam a carga viral abaixo do limite indicado por quatro anos.

Após as 48 semanas, "96% deles seguiam o regime de quatro dias de ingestão dos medicamentos e mantinham a carga viral indetectável". Apenas três pacientes voltaram a ter a carga do vírus além do número recomendado nas semanas 4, 12 e 40 com, respectivamente: 785, 124 e 969 cópias/ml. "Nesses, a taxa caiu para abaixo do limite quando retomaram ao tratamento padrão, com doses diárias do medicamento, sem o surgimento de resistência. Um participante abandonou o estudo na quarta semana".

"Esses resultados nos encorajam a prosseguir com o nosso objetivo de melhorar a qualidade de vida no tratamento da Aids e atender uma forte demanda de alguns pacientes para uma carga de drogas mais baixa", comemora Jean-François Delfraissy, diretor da ANRS. O especialista ressaltou a importância de um experimento randomizado, em que os participantes são escolhidos de forma aleatória, para se chegar à conclusão de que a abordagem pode ser prescrita aos soropositivos. "Somente esse tipo de estudo será capaz de aprovar essa estratégia", justificou.

A agência trabalha nesse sentido e já recrutou 640 pessoas em vários centros hospitalares franceses. Metade receberá o tratamento antirretroviral por quatro dias na semana. A outra, diariamente, durante 48 semanas. "Se os resultados forem similares aos observados no estudo divulgado esta semana, todos os pacientes serão submetidos ao tratamento de quatro dias". Assim, acreditam os pesquisadores, "a eficácia da abordagem será comprovada e, consequentemente, os benefícios adicionais dela, como a redução dos efeitos colaterais a e maior aderência ao tratamento".

.Ao mesmo tempo em que buscam formas de otimizar as terapias contra o HIV, médicos e especialistas esbarram em um obstáculo anterior: "Fazer com que as pessoas tenham acesso ao tratamento hoje disponível". Em 2015, segundo relatório publicado na revista The Lancet, "41% dos soropositivos ingeriam antirretrovirais". A meta das Nações Unidas é de que o índice chegue a 81% em 2020, "o que significa tratar 3,1 milhões de soropositivos adicionais por ano até o fim do prazo".

Segundo os autores do levantamento, essa cobertura terapêutica varia bastante conforme as regiões do planeta e o gênero. Subiu de 6,4% em 2005 para 38,6% em 2015 entre os homens infectados; e de 3,3% para 42,4% entre as mulheres, no mesmo período. Os cientistas ressaltam a necessidade de uma intensificação dos tratamentos principalmente no Oriente Médio, no norte da África, no leste da Europa e em alguns países da América Latina. Suécia (74%), Estados Unidos, Holanda e Argentina (os três com um índice aproximado de 70%) estão perto de atingir a meta. Venezuela (35%) e Bolívia (24%), por sua vez, figuram entre os mais atrasados.

"A cada hora, 29 adolescentes entre 15 e 19 anos são infectados pelo HIV e a AIDS continua sendo a segunda causa de morte entre jovens de 10 a 19 anos"

Lorenzo tem três anos e vive com HIV em Maláui, na África Ocidental
Foto: UNICEF/Schermbrucker

"Os dados são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e foram apresentados durante a 21ª Conferência Internacional Sobre Aids, que está sendo realizada em Durban, na África do Sul".

De acordo com a agência da ONU, as meninas são particularmente mais vulneráveis, representando cerca de 65% das novas infecções em adolescentes em todo o mundo. Na África Subsaariana, onde há aproximadamente 70% das pessoas no mundo vivendo com HIV, três em cada quatro adolescentes infectados pelo vírus em 2015 eram meninas. "A UNICEF aponta ainda que muitos jovens desconhecem o problema por medo de fazer o teste para a doença". Entre os adolescentes, apenas 13% das meninas e 9% dos rapazes foram testados no último ano.

Pesquisa da agência da ONU realizada em 16 países detectou que 68% dos 52 mil jovens entrevistados não querem realizar exames para a doença. "As justificativas foram o medo de resultado positivo e preocupação com o estigma social". Enquanto isso, novas infecções entre crianças, em função de parto ou amamentação, diminuíram 70% desde 2000. Em 2015, metade das novas infeções entre crianças com idades entre 0 e 14 anos ocorreu em seis países: Nigéria, Índia, Quênia, Moçambique, Tanzânia e África do Sul.

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Conferência deste ano deve marcar o compromisso de uma nova resposta acelerada contra o vírus: "Diagnóstico de 90% das pessoas que vivem com HIV; 90% infectados com acesso a tratamento e 90% das pessoas em tratamento eliminando cargas virais. Para acabar com a epidemia, é preciso fechar as lacunas que impedem as pessoas de acessar os serviços de tratamento e de viver com dignidade", afirmou o dirigente máximo da ONU. Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV / AIDS (UNAIDS), a resposta global à enfermidade tem evoluído, sendo que 15 milhões de pessoas tiveram acesso a tratamento em 2015.

"Entre 2002 e 2012, a expansão do acesso ao tratamento evitou 4,2 milhões de mortes em todo o mundo e contribuiu para uma redução de 58% de novas infecções pelo vírus HIV, embora mais de 60% das pessoas que vivem com HIV ainda não tenham acesso a terapia antirretroviral".


FONTE: UNICEF

"Vacina contra HIV será testada em mais de 5 mil pessoas ainda neste ano"


Pesquisadores iniciarão testes em larga escala de uma vacina contra o vírus HIV, na África do Sul, "ainda neste ano". Resultados promissores foram apresentados nesta terça-feira (19/07/2016) na 21ª Conferência Internacional Sobre Aids, realizada em Durban - África do Sul.

Na primeira fase do estudo, chamado HVTN100, um total de 252 pessoas participaram do teste durante 18 meses, na África do Sul. Todos os participantes tinham um risco muito baixo de contrair o vírus. "O objetivo desta fase era garantir a segurança da vacina".

O sistema imunológico das pessoas reagiu bem à vacina. "Queríamos determinar se esta vacina era segura e suportável para os pacientes", explicou Kathy Mngadi, pesquisadora estudo. O teste se baseou em resultados de 2009, quando uma vacina experimental desenvolvida na Tailândia reduziu em um terço os riscos de contaminação pelo vírus HIV. "Essa vacina experimental nos deu esperanças, mas também revelou tudo que ainda tínhamos que aprender", afirmou a codiretora do ensaio, Fatima Laher.

Para a segunda fase do ensaio, "que será iniciada em novembro", os cientistas vão recrutar 5.400 homens e mulheres sul-africanos de alto risco, com idades entre 18 e 25 anos. "Desta vez, será medida a eficácia da vacina e esperamos ter resultados dentro de cinco anos", disse Glenda Gray, diretora do programa HVTN África.

Na última conferência internacional sobre a Aids, realizada em Durban em 2000, as vacinas quase não foram mencionadas, lembrou Larry Corey, da Rede de ensaios de vacinas contra o HIV. "É muito gratificante ver os progressos científicos conquistados desde então", afirmou.