As pessoas que vivem com HIV podem ter filhos biológicos? Sim, podem!


As pessoas que vivem com HIV não devem abandonar seus sonhos, incluindo o desejo de construir família e de ter filhos. Toda pessoa, independentemente de viver ou não com HIV, tem direito de decidir se quer ter filhos ou não, quantos e em que momento de sua vida.

Há risco de transmissão do HIV para o(a) parceiro(a) e o bebê?

Sim! Há risco de transmissão do HIV tanto para a pessoa que não tem o vírus, quanto para o bebê. Por isso, é muito importante que a pessoa ou casal que deseja ter filhos expresse sua intenção para seus médicos infectologistas. Assim vão receber orientações específicas e corretas sobre os cuidados necessários desde o planejamento da gravidez, o pré-natal, o parto e os primeiros meses de vida do bebê. Receber informações e planejar juntos dará maior segurança ao casal.

É possível diminuir o risco de transmissão do HIV no planejamento da gravidez?

Sim! Há um momento mais favorável para que a gravidez aconteça com menos risco de transmissão do HIV. Por isso, o planejamento da gravidez é fundamental. A pessoa ou o casal portador do HIV deve estar em tratamento antirretroviral e com a carga viral (quantidade de vírus) do HIV no sangue indetectável.

Além disso, devem estar livres de doenças oportunistas, de doença sexualmente transmissíveis (DST) e com as defesas do organismo fortalecidas. Isso se consegue com boa adesão ao tratamento, ou seja, tomando os remédios correta e ininterruptamente, conforme indicado pelos seus médicos infectologistas.

A presença de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e/ou outras doenças nos genitais aumenta o risco de transmissão do HIV, por isso é importante que as pessoas busquem tratamento adequado junto aos seus médicos.

Esses cuidados diminuem, mas não eliminam o risco da transmissão sexual do HIV e demais infecções entre casais sorodiscordantes (quando uma das pessoas tem o HIV e a outra não). O maior risco de transmissão ocorre quando a gravidez acontece sem nenhuma orientação. Por isso, esse assunto deve ser sempre discutido com seus médicos infectologistas.

Como diminuir o risco de transmissão sexual do HIV para o(a) parceiro(a) que não tem o HIV?

Quanto mais baixa for a carga viral (quantidade de vírus HIV) no sangue, no esperma e na secreção da vagina, menor será o risco de transmissão sexual do HIV. O risco de transmissão aumenta quando existe alguma infecção genital (como herpes ou gonorreia, por exemplo) no momento em que o casal estiver tentando ter filho.

Como diminuir o risco de transmissão do HIV para o bebê (transmissão vertical) quando a mulher for
HIV positiva?

A transmissão do HIV durante a gravidez só acontece quando a mulher for portadora do vírus ou se ela se infectar pelo parceiro durante as tentativas para engravidar. Todas as gestantes infectadas pelo HIV, independentemente de sua carga viral (quantidade de vírus no sangue) ou de como está o seu sistema de defesa, devem usar medicamentos antirretrovirais durante a gestação e no momento do parto.

As que já tomam regularmente esses remédios devem ser avaliadas pelo seu médico infectologista sobre a necessidade de trocar a medicação ou não. Não é recomendável amamentar, porque o vírus HIV pode ser transmitido ao bebê pelo leite materno.

O bebê precisará tomar remédios nas primeiras seis semanas de vida e deverá fazer acompanhamento em serviço especializado para investigação do diagnóstico de HIV. Se todas as medidas disponíveis de prevenção da transmissão do HIV durante a gestação, o parto e puerpério (período que se segue após o parto) forem tomadas, a chance de o bebê se infectar cai de 30% para menos de 1%.

Quais são as alternativas para engravidar?

É o médico infectologista que pode orientar as pessoas sobre as melhores alternativas para ter filhos e os riscos de transmissão do HIV, dependendo da condição clínica e sorológica do casal. O melhor momento clínico para o planejamento da reprodução também deve ser discutido com seu médico, para que você possa tomar sua decisão de maneira informada, de acordo com o desejo do casal. Isto significa que a pessoa HIV positiva deve ter boa adesão ao tratamento; carga viral indetectável e também precisa estar com as defesas boas e não ter doenças oportunistas, nem DST..

Hoje, as alternativas que podem diminuir o risco da transmissão sexual do HIV são:

1. Auto-inseminação no período fértil: É a introdução do esperma diretamente na vagina por meio de uma seringa, quando a mulher estiver no período fértil. Essa alternativa é ideal, especialmente, nos casos em que a mulher for HIV positiva e o homem HIV negativo, uma vez que não haverá contato com a secreção genital contaminada.

2. Concepção natural planejada para o período fértil associada à profilaxia: Nessa alternativa, os casais optam por tentar ter filhos naturalmente, tendo relação sem preservativo. Deve ser considerada apenas quando for bem orientada pelo médico infectologista. Precisa ser planejada para o momento clínico em que a carga viral da pessoa infectada estiver indetectável e suas defesas estiverem boas. Além disso, o casal não pode apresentar doenças oportunistas, nem DST e a relação sexual deve acontecer apenas no período fértil. Essa alternativa implica várias medidas para tentar diminuir o risco da transmissão sexual do HIV, como, por exemplo, o uso de antirretroviral para a(o) parceira(o) HIV negativo (profilaxia).

3. Técnicas de reprodução humana assistida: É o uso da inseminação artificial ou bebê de proveta (fertilização in vitro) associados a lavagem do esperma (técnica que separa o espermatozoide do HIV e outros vírus). Estas técnicas auxiliam as pessoas a ter filhos e são bastante seguras em relação ao risco de transmissão sexual do HIV, podendo ser utilizadas independentemente da condição sorológica do casal.

"Se o seu desejo é ter um filho, não busque informações e orientações com pessoas leigas, nem através de opiniões virtuais sem nenhum conhecimento comprovado e confiável. A única maneira correta e segura de ter este desejo realizado é conversando com seu médico infectologista sobre a alternativa mais adequada ao seu caso, para que o planejamento da gravidez aconteça num momento clínico favorável e com menor risco. As alternativas para o planejamento da gravidez diminuem, mas não eliminam o risco da transmissão do HIV. Por isso, o acompanhamento médico desse processo é essencial e pode fazer a diferença para o seu futuro na prevenção da transmissão sexual e vertical do HIV".

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