"GT discute má adesão e abandono do tratamento das pessoas que vivem com HIV"


"Novo encontro do GT de Adesão discute critérios que definem má adesão e abandono de tratamento. Encontro reuniu representantes de governo, academia e sociedade civil"

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV) sediou nessa segunda-feira (28/03) a terceira reunião do Grupo de Trabalho de Adesão (GT), estabelecido em 2015 para debater temas inerentes a este que é um dos pilares da terapia antirretroviral (TARV) e da estratégia "Testar e Tratar da Organização Mundial da Saúde", da qual o Brasil foi o terceiro signatário. O GT conta com representantes de governo, academia e sociedade civil.

O tema é pauta constante do Departamento, "já que a adesão e suas estratégias devem ser sempre adaptadas aos contornos da epidemia de HIV/aids no Brasil e às particularidades dos pacientes submetidos à TARV". O desafio é proporcional às dimensões continentais e ao crescente número de pessoas em TARV no país: "Apenas em 2015, por exemplo, 81 mil novos pacientes iniciaram o tratamento".

A mudança é significativa. "No passado, o mundo lutava pelo acesso à TARV; agora, a luta é pela carga viral indetectável", disse, durante a reunião, o coordenador-geral de Assistência e Tratamento do DDAHV, Marcelo Freitas, "lembrando que a supressão da carga viral é hoje considerada o melhor indicador da boa adesão dos pacientes à terapia".

"De fato, a presença da carga viral detectável seis meses após a introdução da TARV é, ao lado da irregularidade no comparecimento às consultas, na retirada dos medicamentos e na realização dos exames de seguimento, um grande alerta aos serviços de saúde quanto à desmotivação do paciente e ao possível e iminente abandono do tratamento".

"Após os seis meses iniciais de TARV, o fato de a carga viral não ter sido suprimida só pode ser explicado de duas formas: ou o esquema de medicamentos precisa ser readequado, ou o paciente não aderiu corretamente a ele”, reitera o coordenador. Estudos indicam que a eficácia do tratamento, expressa nos níveis de supressão viral, exige que o uso do esquema terapêutico seja alto, isto é: a maioria das doses prescritas têm de ser tomadas".

Para aprimorar a adesão, o DDAHV conta com a disponibilidade do medicamento "3 em 1" em todo o país. Em 2015, também, o DDAHV lançou outra ferramenta que contribui para a boa adesão à TARV: "O aplicativo VIVA BEM - clique aqui para acessá-lo", para smartphone, lembra aos pacientes o horário em que devem tomar o medicamento ou o dia em que devem buscá-lo nos serviços de saúde, mês a mês.

O principal tópico do GT de Adesão nesta segunda-feira foram os critérios de má adesão e abandono de tratamento que serão utilizados no Sistema de Monitoramento Clínico das Pessoas Vivendo com HIV (SIMC) do DDAHV. "A ideia é que os serviços que atendam pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) no Brasil possam indicar os casos que preenchem os critérios de má adesão, para que possamos ter uma estratégia ativa para monitorar esses pacientes", diz Marcelo. "De posse da lista de pacientes com má adesão, todos os serviços que atendem PVHA poderão abordá-los por meio de estratégias adaptadas caso a caso".

A adesão também foi tema da mais recente edição do evento Rodas de Conversa, realizada na última quarta-feira (23/03). O encontro "Descobrindo a adesão ao tratamento antirretroviral (TARV): experiências nacionais e internacionais" contou com a contribuição da técnica Daniela Cerqueira Batista, da Coordenação de Assistência e Tratamento (CAT), e com a apresentação de experiências referentes à adesão em presídios da Ucrânia e entre crianças e adolescentes da África do Sul por meio da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Durante o encontro, Daniela apresentou a "cascata de cuidado contínuo do HIV" para o Brasil em 2014: das 781 mil pessoas infectadas pelo HIV no país, 649 mil estavam diagnosticadas; 405 mil estavam em TARV; e 356 mil estavam com a carga viral indetectável, "estes últimos do jeito que a gente quer", segundo a assessora.

"A adesão é fruto de uma parceria, de um acordo entre a pessoa e o profissional de saúde no início do tratamento, disse Daniela".

Realizadas quinzenalmente, as Rodas de Conversa são organizadas pelo Núcleo de Educação da Assessoria de Assuntos Estratégicos do DDAHV para promover a interação e a troca de experiências entre os profissionais do Ministério da Saúde.

Fonte: Departamento de Dst, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde

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