"Nasce em SP a Rede Nacional de Mães Vivendo e Convivendo Positivamente que visa conectar grávidas e mães soropositivas de todo o Brasil"

"A Rede Nacional de Mães Vivendo e Convivendo Positivamente foi oficialmente lançada no sábado (09/04/2016), durante a Virada da Saúde, no Unibes Cultural, em São Paulo. A iniciativa visa conectar grávidas e mães soropositivas de todo o Brasil, além de cuidadoras de crianças e bebês (soropositivos ou não)".

"O Brasil tem cerca de 37 mil mães soropositivas com filhos de até 6 anos de idade, diz Glória Brunetti, médica infectologista e coordenadora da rede. Elas precisam estar muito bem psicologica, emocionalmente, informadas sobre como lidar com o HIV, fazer a correta aderência ao tratamento com antirretrovirais, estar bem em relação ao CD4, ter carga viral baixa e seguir todos os protocolos para que a criança nasça bem, continua a médica, também diretora administrativa da ONG Poder Jovem, que incorpora o novo projeto".

Os encontros presenciais acontecerão na capital paulista, na sede da Fundação Poder Jovem, mas a ideia é utilizar ferramentas onlines como Facebook e WhatsApp para conectar mães de todo o Brasil. "Devido ao preconceito, essas mães se sentem muitas vezes constrangidas em buscar informações em postos de saúde. Mulheres soropositivas também têm muitas dúvidas em relação à gravidez.

Por isso, é importante uma rede como essa", afirma Sandra Santos, presidente da Fundação Poder Jovem. Todas as atividades da rede focam na melhoraria da qualidade de vida da mãe e do filho. "As ações incluem palestras com vários profissionais de saúde, debates sobre preconceito e produções de materiais motivacionais, como um web-documentário e um e-book, para disseminar conhecimento sobre como lidar com o HIV".

São preocupações como essas que promoveram um grande encontro e a união de pessoas interessadas em suprir as necessidades dessas mulheres. Sandra Santos, especialista em pedagogia hospitalar e presidente da Fundação Poder Jovem, contou que nos últimos oito anos de acolhimento no projeto ela vem percebendo que auxiliar só os jovens não leva ao resultado esperado. Porém a fundação ainda não tinha estrutura para acolher essas mães e cuidadoras com atividades específicas para fortalecê-las. "Além disso, nossas adolescentes começaram a constituir família e engravidaram. Umas das mães que passou pelo Poder Jovem, a Natasha Laranjeira, também viveu esse processo e sentia necessidade de informação", disse Sandra.

Natasha tem 23 anos, um filho de dois e está em um relacionamento estável há cinco. Desde os 13, milita em causas de direitos humanos. Ajudou a fundar a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e foi representante da RNAJVH na região sudeste. Participou do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e do GIV (Grupo de Incentivo à Vida), trabalhou na Associação Civil Anima e hoje está no Projeto Bem-Me-Quer. Conheceu o Poder Jovem ainda na adolescência, quando o projeto funcionava dentro do Instituto Emílio Ribas, onde faz tratamento.

A jovem conta que, quando engravidou, mesmo sendo uma ativista, "sentiu falta de informações para lidar com atividades simples do dia-a-dia. Eu não sabia o que podia ou não fazer. Desde então, eu pensava num projeto voltado para as mães positivas", contou. Natasha apresentou essa vontade para Sandra, que também já pensava sobre o tema, alinharam as ideias e daí surgiu os primeiros passos do projeto de criar uma rede. "Foi um encontro", disse Natasha.

Agora, a rede já conta com um número no WhatsApp:  (11) 97545-9418 e página no Facebook (clique aqui para acessar a página) , para fazer o acolhimento das mães, além do espaço para encontros presenciais.

Por: Daiane Bomfim
(Agência de Notícias da Aids)

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