"Anel vaginal, que previne a contaminação pelo vírus HIV, dá nova esperança para milhões de mulheres sob alto risco de contágio"


"Em uma nova tentativa de vencer a batalha contra a Aids, um anel vaginal que ajuda a prevenir a contaminação pelo vírus HIV pode se transformar na esperança de milhões de mulheres que vivem sob alto risco de contágio, especialmente nos países mais pobres".

O anel, que libera doses de um antirretroviral, foi apresentado nesta terça-feira (17/05) pela IPM - International Partnership for Microbicides/USA, entidade sem fins lucrativos participante da conferência internacional Women Deliver, que está sendo realizada na Dinamarca entre os dias 16 e 19 de 2016

Embora muitos falem que o fim da epidemia está perto, "a batalha ainda não terminou, as mulheres seguem se infectando a níveis muito altos na África Subsaariana", explicou à Agência Efe a diretora-executiva da IPM, Zeda Rosenberg. "Na região, seis de cada dez afetados são mulheres".

Este anel de silicone que é colocado na vagina e deve ser substituído a cada quatro semanas, promete se transformar nunma grande ajuda para diminuir os níveis da epidemia na região, "onde as mulheres com idades entre 15 e 24 anos têm o dobro de possibilidades de contrair HIV em relação aos homens". Com este novo método, similar ao anel vaginal anticoncepcional, as mulheres podem controlar sua saúde sem necessidade de negociar com seus parceiros, e inclusive evitar o contágio em caso de estupro.

Após ser testado África Subsaariana para demonstrar sua eficácia, o anel está passa agora por novos testes, cujos resultados serão revelados a partir de julho para que seja possível que seus autores solicitem aprovação das agências reguladoras para sua comercialização, "e o próximo passo é disponibilizá-lo para utilização das mulheres"

"Se tudo correr perfeitamente, podemos tê-lo no mercado no final de 2018. Nosso objetivo é que seja comercializado com o preço abaixo de US$ 5 por unidade, explicou Rosenberg".

Ativistas e especialistas que participam da Women Deliver para traçar novas estratégias que permitam melhorar a saúde de meninas e mulheres, receberam com entusiasmo este avanço científico que pode ser um marco na luta contra a Aids, especialmente no continente africano. "O mais importante é que o anel pode ser usado sem o consentimento do homem, e as mulheres terão a opção de escolher por elas mesmas, disse à Agência Efe, a ativista de direitos humanos sul-africana Yvette Raphael".

Um dos principais desafios, explica, é trabalhar lado a lado com as comunidades locais, explicar as vantagens do anel e conseguir sua aceitação porque, sem ela, poucas jovens se atreverão a usá-lo. Por isso, a IPM trabalha com ativistas como Raphael na região para apresentar o anel vaginal como uma opção a mais na proteção contra o HIV, "lembrando que o mesmo não deve ser um substituto, mas um reforço a outros métodos de prevenção, como os preservativos".

"Desde 2012, a IPM realizou diferentes estudos nos quais participaram mais de 2.600 mulheres de idades entre 18 e 45 anos com alto risco de contágio na África do Sul, Uganda, Zimbábue e Malawi, que provaram que este método reduziu os contágios em até 56% nas mulheres maiores de 21 anos".

Além dos desafios científicos, outro grande desafio para desenvolvimento deste anel vaginal foi o financiamento, já que cada vez é mais difícil conseguir aliados, especialmente quando se trata de métodos de prevenção, diante do grande número de pesquisas que ocorrem atualmente. "No entanto, o projeto conta com o apoio de algumas grandes companhias e de governos, como o da Dinamarca".

"Infelizmente a pesquisa tem cada vez menos interesse por parte dos financiadores. Por isso decidimos investir no desenvolvimento do anel vaginal porque queremos fazer tudo o que for possível para tentar conter a epidemia da Aids", afirmou a principal assessora de saúde no Ministério dinamarquês de Relações Exteriores, Sanne Helt.

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