"Tratamento com anticorpos é capaz de melhorar a resistência de pacientes ao HIV a longo prazo, ensinando o sistema imune a reagir contra o vírus"


"Anticorpo encontrado em pessoas resistentes ao vírus HIV é clonado e aplicado em pacientes soropositivos, que passam, então, a produzir células capazes de matar o agente infeccioso. Especialistas dizem que ainda não se trata de uma cura, mas enxergam na terapia uma possibilidade de tornar o micro-organismo bem menos agressivo ao corpo".

A descoberta foi divulgada em dois artigos publicados ontem na revista Science e em um estudo na edição desta semana da Nature. Os trabalhos também descrevem como as estruturas de defesa destroem os reservatórios do HIV e podem ajudar a blindar o organismo contra a doença. O resultado é uma nova etapa da pesquisa conduzida por uma equipe de cientistas da Universidade de Rockefeller, em Nova York.

Em estudos feitos com humanos publicados no ano passado, os pesquisadores, que incluem um time de brasileiros, já haviam mostrado como o método de imunização passiva pode reduzir a carga viral no sangue dos pacientes em até 250 vezes.

"A grande ameaça do HIV está na forma como o vírus se multiplica e ganha força ao atacar as células do sistema imunológico. As grandes defensoras do organismo acabam se tornando as maiores vítimas da ação do HIV, incapacitadas de revidar diante do poder de mutação do invasor. Se a infecção não for controlada com medicamentos, as células prejudicadas pelo vírus perdem terreno também para outros tipos de doenças, que se aproveitam da deficiência imune".

Os pesquisadores pretendem encontrar uma forma de virar esse jogo desenvolvendo um tratamento que possa aperfeiçoar o sistema de defesa natural do organismo. O grupo atualmente estuda um forte candidato contra o vírus: "o anticorpo 3BNC117", produzido a partir de células de um tipo especial de pacientes infectados com o vírus, conhecidos como controladores de elite.

"Esses indivíduos são capazes de controlar o vírus sem a ajuda de remédios, contando apenas com suas defesas naturais".

O anticorpo amplamente neutralizante, como é chamado, foi selecionado entre centenas de estruturas produzidas pelo sistema imune desses pacientes, clonado e testado em experimentos in vitro e com animais. O estudo publicado no ano passado avaliou, por um mês, a ação do anticorpo em pessoas infectadas.

Nesse novo trabalho, os pacientes que receberam o tratamento inovador foram acompanhados por mais 20 semanas. Os cientistas esperavam que o vírus tivesse desenvolvido algum tipo de mecanismo contra o 3BNC117, mas se surpreenderam ao ver que o sistema imune dos pacientes também havia mudado com a presença do novo anticorpo.

"Os linfócitos B, encarregados de proteger o organismo, passaram a produzir estruturas mais eficientes contra o HIV".

Fonte: Correio Braziliense

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