O vírus HIV não pensa, não sabe que você existe, não tem cérebro e não pode passar a comandar a sua vida porque um teste deu positivo!

Autora: Dra. Marcia Rachid
(Médica Infectologista)

Atenção: Vou falar como médica para tentar ajudar de alguma maneira e tentar mostrar que é possível reagir diante de dificuldades, levantar do chão. Vamos lá!

O HIV é um vírus e tem tratamento. Hoje, é mais fácil tratar da infecção pelo HIV com sucesso do que tratar de diversas outras doenças ainda sem propostas terapêuticas.

Qual a diferença?

Esse diagnóstico discrimina, carrega um preconceito gigantesco; revela segredos; causa enorme impacto pessoal e social; provoca enormes mudanças, inclusive de hábitos; algumas vezes, abruptamente, traz à tona problemas preexistentes, que muitos não queriam nem pensar. Assim, o HIV não cai do céu e, na maior parte das vezes, a pessoa, ao fazer o teste, já tinha alguma ideia da possibilidade de exposição.

É importante perceber que estamos em outro momento da ciência e o vírus não tem mais o poder que já teve no início da epidemia nos anos 80/90. É uma infecção viral que pode ser tratada com comprimidos desde que haja essa determinação e decisão.

Ninguém tem que adoecer!

"Precisa dizer ao HIV que quem manda é o portador, pois vírus nem pensa, nem sabe que o indivíduo existe e nem tem cérebro. Não pode passar a comandar a vida dos outros porque um teste deu positivo".

O resto já existia. Os problemas, enxergados a partir do diagnóstico, já estavam lá, mas, frequentemente, estavam sendo deixados de lado. Às vezes, um comprometimento da saúde vem para alertar. Para olharmos mais para nós mesmos. Por exemplo:

"Muitas vezes a sexualidade é omitida porque a pessoa não sabe como lidar; não há conversa com os pais sobre sexualidade ou identidade de gênero; algumas mulheres desconhecem que o marido é bissexual e esse assunto pode ser confuso; algumas pessoas usavam drogas e sabem que é mais cauteloso parar; outras fumam e passam a considerar que seria legal parar; transavam sem camisinha e não se preocupavam com HIV nem outras infecções sexualmente transmissíveis; sempre comeram gordura e estão acima do peso; não praticam exercícios mesmo sabendo que isso não combina com saúde etc etc".

São vários aspectos. Cada um tem seu tempo e deve tentar dar um passo de cada vez, subir um degrau por vez e sair daquele lugar, podendo transformar o diagnóstico em um ponto de partida para uma vida melhor.

Pedir ajuda a amigos não é vergonha!
Procurar profissionais de diversas áreas (médico, psicólogo, psiquiatra) é muito importante!
Pode ser útil para iluminar a nova estrada!
Voltar a sonhar e acreditar que há todo o tempo do mundo para recomeçar é fundamental!

Recentemente, tentei explicar numa postagem que tristeza é diferente de depressão, mas parece que não consegui. O que tento dizer é que: Em alguns casos, precisa ocupar a mente para superar um momento ruim, mas se há real depressão (orgânica), é necessário buscar auxílio médico para corrigir os mediadores químicos do corpo com remédios para se sentir melhor, conseguir pensar e depois agir.

Marcia Rachid

Deixo aqui meu agradecimento à Dra. Marcia Rachid por ter autorizado a publicação do seu artigo neste Blog.

Um comentário :

  1. Perfeito artigo! De fato essa ideologia de viver para criticar e crucificar os outros deve acabar...Se não dá para ser útil, melhor se calar! Além do mais ninguém tem direito de criticar ninguém! A doença por sí só já é bastante complexa, então melhor estender a mão e tentar minimizar os impactos que ela causa. Mas a vida precisa seguir, sonhar é preciso, sentir-se vivo também...A ciência muito já avançou e creio que em breve tudo isso já será passado!! Unidos todos somos mais fortes...A vida precisa prosseguir!!!

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