"A PrEP, um tratamento que utiliza o antirretroviral TRUVADA e que pode evitar a infecção pelos vírus HIV, será incorporada ao SUS em 2016"


"A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), técnica que consiste no uso do antirretroviral TRUVADA por pessoas que não são portadoras do HIV, e que pode evitar a infecção pelo vírus, será incorporada ao SUS (Sistema Único de Saúde)  até fim deste ano (2016)".

A declaração foi feita por Adele Benzaken, diretora do Departamento de Dst, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, durante apresentação na segunda-feira (18/07/2016), na 21ª Conferência Internacional de Aids, em Durban (África do Sul).
"No primeiro ano, a PrEP estará disponível para dez mil pessoas, anunciou Adele".
Adele falou logo após o diretor do Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS), Gottfried Hirnschall. Ela afirmou que o protocolo clínico de incorporação será submetido à consulta pública em agosto. A diretora fez um breve histórico do tratamento antirretroviral no Brasil, contou que o acesso universal foi adotado em 1996 e que a terapia está disponível para todos os diagnosticados, independentemente da contagem do CD4, desde dezembro de 2013.

O medicamento antirretroviral Truvada usado como profilaxia pré-exposição, "se tomado todos os dias é capaz de diminuir em até 92% a chance de se contrair HIV", segundo projeções do iPrEx, principal estudo que mediu sua eficácia. Há, porém, efeitos colaterais. Entre eles: tonturas, dores de cabeça e enjoos. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que: "o remédio deverá ser ofertado em serviços para populações com risco acrescido, como travestis, homens que fazem sexo com homens, transexuais e profissionais do sexo". A estimativa do Ministério da Saúde é de que 10 mil pessoas terão acesso ao medicamento durante o primeiro ano.

A eficácia do medicamento está comprovada. Mas há um ponto sobre o qual ainda há questionamentos. "Trata-se do impacto que o uso do comprimido pode ter no comportamento de quem passa a usá-lo". Pesquisadores se preocupam com o fato do Truvada ter potencial de "estimular o sexo sem camisinha". Michael Weinstein, fundador da Aids Healthcare Foundation, é um dos que veem essa possibilidade. Ele acredita que o medicamento fará as pessoas deixarem de usar preservativo e adotarem comportamentos de risco. Weinstein classifica o remédio como uma droga recreativa.

Os acompanhamentos de grupos que tomam o comprimido feitos até agora, porém, não detectaram essa mudança de comportamento ou foram inconclusivos. Dados coletados pelo iPrEx em 2013 mostram que "as pessoas que passaram a usar o Truvada não deixaram de se proteger". Um outro estudo mais recente, realizado em 2015 por Jonathan E. Volk, pesquisador do Kaiser Permanente San Francisco Medical Center, nos EUA, "detectou uma tendência de baixa no uso de camisinha". O pesquisador, porém, afirma que os dados são inconclusivos, pois não houve grupo de controle, "método científico necessário para isolar e confirmar os efeitos da experiência".
"Órgãos oficiais no Brasil e no mundo destacam que o Truvada não pode ser usado como um substituto da camisinha, já que somente ela (a camisinha) pode prevenir todas as outras DST (doenças sexualmente transmissíveis)".
O iPrEx analisou o Truvada durante três anos em 2.500 homens homossexuais em seis países, incluindo o Brasil. O estudo mostrou que: "quanto maior a regularidade com que se toma o medicamento, maior a taxa de proteção". Há outros estudos sobre a eficácia do comprimido com resultados positivos em diversas partes do mundo.

Desde 2014, voluntários brasileiros tomam todos os dias um comprimido de Truvada. O Ministério da Saúde quer saber a aceitação do medicamento e ver como ele impacta no comportamento dos pacientes. O jornalista Thiago Araújo foi um deles. Ele diz não sentir nenhum dos efeitos colaterais e faz um acompanhamento trimestral no Hospital das Clínicas, em São Paulo. "Entre exames e aconselhamento, Thiago é constantemente lembrado a usar camisinha".

FONTES: MINISTÉRIO DA SAÚDE - NEXO JORNAL

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