"Ativistas da AIDS fazem passeata em Durban pedindo mais acesso ao tratamento antirretroviral e remédios menos tóxicos"



Apesar dos avanços significativos alcançados na luta contra o HIV, os participantes da 21ª Conferência Internacional de Aids, aberta oficialmente  nesta segunda-feira (18/07/2016), em Durban/África do Sul, insistem nos enormes desafios ainda levantados pela doença. Um deles é o acesso aos medicamentos, um dos focos de uma manifestação de ativistas, muitos deles brasileiros. Uma passeata, com cerca de quatro mil pessoas, saiu do centro da cidade portuária africana e caminhou até o local que sedia a conferência.

Os ativistas pararam em frente à prefeitura de Durban, pretendendo falar com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que estava em reunião com representantes do movimento de jovens com HIV. Frustrados com a não aparição de Ki-Moon, continuaram a marcha até a frente do hotel onde ele estava hospedado. O secretário-geral da organização de ativistas Treatment Action Campaign, Anele Yawa, discursou para a multidão: "Ban Ki-Moon não nos recebeu de manhã e não saiu para nos ver agora. Ele não é nosso líder, dos pobres, ele é líder dos ricos".

A delegação brasileira estava presente na marcha. Veriano Terto, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA) e presidente da Articulação Nacional de Luta Contra a Aids (Anaids) declarou: "Investe-se pouco em prevenção no Brasil. E a expansão do tratamento traz uma questão. Se não tivermos um sistema de saúde forte e suporte social, as pessoas acabam abandonando o tratamento, como está ocorrendo aqui na África do Sul".

A escolha  de Durban para o evento que acontece a cada dois anos foi simbólica: No ano 2000, o ex-presidente Nelson Mandela convocou na mesma cidade o trabalho pelo acesso aos tratamentos gratuítos de antirretrovirais para todos os doentes. "Apenas um milhão de pessoas no mundo, principalmente nos países do Norte, tinham acesso a estes medicamentos no ano 2000, lembrou nesta segunda-feira a associação AIDES. "Dezesseis anos depois, já são mais de 15 milhões. Com isso, foram evitadas quatro milhões de mortes".

"No entanto, a associação adverte que estes avanços não devem esconder a realidade: Ainda há 38 milhões de pessoas no mundo vivendo com o vírus, a maioria na África subsaariana".

"Todos os meses, 100 mil pessoas morrem de Aids e 160 mil se infectam,  segundo a AIDES, que denuncia as desigualdades sociais inaceitáveis que seguem ocorrendo entre países pobres e ricos".

"Na África subsaariana, mais de dois mil jovens de menos de 24 anos se infectam todos os dias, afirmou Bill Gates, muito comprometido na luta contra a doença, na noite de domingo em Pretória, antes de viajar a Durban".

"Cerca da metade das pessoas com Aids não são diagnosticadas, o que reduz suas probabilidades de sobreviver e aumenta o risco de contaminação, lembrou o multimilionário fundador da Microsoft".

"A Aids continua a primeira causa de mortalidade entre pessoas de 10 e 19 anos na África, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)".

Para conseguir erradicar a doença em 2030, objetivo fixado pela ONU, são necessários esforços colossais, advertem as organizações não governamentais, num momento em que a vacina contra a aids ainda não é uma realidade possível. Para fazer pressão sobre os 18 mil participantes que devem chegar à conferência de Durban, entre eles cientistas, autoridades políticas, doadores e personalidades como o príncipe Harry da Inglaterra, o cantor Elton John e a atriz sul-africana Charlize Theron, na segunda-feira foi realizada uma manifestação de doentes de Aids na cidade.

"Existe uma enorme distância entre as promessas políticas e a realidade em terra, com financiamento insuficiente e sistemas de saúde à beira da implosão, denunciaram várias organizações especializadas e a justiça social".

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) convocou os participantes da conferência "a colocarem em andamento um plano de ação para resolver o acesso crítico ao tratamento do HIV" na África Ocidental e Central, onde as taxas de tratamento são inferiores a 30%. "Se não agirmos, as conquistas duramente conquistadas na África subsaariana nos últimos 15 anos podem ser anuladas", advertiu Bill Gates.

Fonte: A Agência de Notícias da Aids cobre a 21ª Conferência Internacional de Aids com apoio do Departamento de Dst, Aids e Hepatites Virais, da DKT do Brasil e da Jansen Farmacêutica.

Nenhum comentário :

Postar um comentário