"Cientistas franceses defendem fim das doses diárias de antirretrovirais no tratamento do HIV/AIDS"


"A proposta de um grupo de cientistas da França foi apresentada durante a 21ª Conferência Internacional Sobre Aids, na África do Sul. Cem pacientes receberam o medicamento quatro vezes na semana e 96 deles mantiveram o vírus HIV sob controle".

Criados na década de 1980, os antirretrovirais prolongam significativamente a longevidade dos infectados pelo HIV e diminuem as chances de transmissão do vírus. Versões melhoradas dos medicamentos foram lançadas ao longo dos anos, e cientistas continuam a buscar formas de tornar a abordagem mais eficaz tanto para reduzir os índices de abandono quanto para aliviar os efeitos colaterais do tratamento, "que dura toda a vida".
"Reduzir a quantidade de comprimidos pode, segundo especialistas, aumentar a adesão do tratamento".
Uma equipe da Agência Nacional Francesa de Pesquisa em HIV, Aids e Hepatites Virais (ANRS) apresentou ontem (19/07/2016), na conferência, resultados de um estudo propondo que: "A ingestão dos medicamentos antirretrovirais deixe de ser diária. A pesquisa, testada em 100 voluntários, apresentou resultados promissores".

Os voluntários passaram a ingerir os medicamentos "quatro vezes por semana durante 48 semanas" e foram acompanhados por uma equipe liderada por Christian Perronne, do Hôpital Raymond Poincaré, na França, e integrante da ANRS. "A intenção era saber se, com esse tipo de abordagem, seria possível manter a carga viral plasmática abaixo de 50 cópias/ml, considerada indetectável". Os voluntários tinham sido tratados com uma combinação tripla de antirretrovirais em média durante cinco anos e apresentavam a carga viral abaixo do limite indicado por quatro anos.

Após as 48 semanas, "96% deles seguiam o regime de quatro dias de ingestão dos medicamentos e mantinham a carga viral indetectável". Apenas três pacientes voltaram a ter a carga do vírus além do número recomendado nas semanas 4, 12 e 40 com, respectivamente: 785, 124 e 969 cópias/ml. "Nesses, a taxa caiu para abaixo do limite quando retomaram ao tratamento padrão, com doses diárias do medicamento, sem o surgimento de resistência. Um participante abandonou o estudo na quarta semana".

"Esses resultados nos encorajam a prosseguir com o nosso objetivo de melhorar a qualidade de vida no tratamento da Aids e atender uma forte demanda de alguns pacientes para uma carga de drogas mais baixa", comemora Jean-François Delfraissy, diretor da ANRS. O especialista ressaltou a importância de um experimento randomizado, em que os participantes são escolhidos de forma aleatória, para se chegar à conclusão de que a abordagem pode ser prescrita aos soropositivos. "Somente esse tipo de estudo será capaz de aprovar essa estratégia", justificou.

A agência trabalha nesse sentido e já recrutou 640 pessoas em vários centros hospitalares franceses. Metade receberá o tratamento antirretroviral por quatro dias na semana. A outra, diariamente, durante 48 semanas. "Se os resultados forem similares aos observados no estudo divulgado esta semana, todos os pacientes serão submetidos ao tratamento de quatro dias". Assim, acreditam os pesquisadores, "a eficácia da abordagem será comprovada e, consequentemente, os benefícios adicionais dela, como a redução dos efeitos colaterais a e maior aderência ao tratamento".

.Ao mesmo tempo em que buscam formas de otimizar as terapias contra o HIV, médicos e especialistas esbarram em um obstáculo anterior: "Fazer com que as pessoas tenham acesso ao tratamento hoje disponível". Em 2015, segundo relatório publicado na revista The Lancet, "41% dos soropositivos ingeriam antirretrovirais". A meta das Nações Unidas é de que o índice chegue a 81% em 2020, "o que significa tratar 3,1 milhões de soropositivos adicionais por ano até o fim do prazo".

Segundo os autores do levantamento, essa cobertura terapêutica varia bastante conforme as regiões do planeta e o gênero. Subiu de 6,4% em 2005 para 38,6% em 2015 entre os homens infectados; e de 3,3% para 42,4% entre as mulheres, no mesmo período. Os cientistas ressaltam a necessidade de uma intensificação dos tratamentos principalmente no Oriente Médio, no norte da África, no leste da Europa e em alguns países da América Latina. Suécia (74%), Estados Unidos, Holanda e Argentina (os três com um índice aproximado de 70%) estão perto de atingir a meta. Venezuela (35%) e Bolívia (24%), por sua vez, figuram entre os mais atrasados.

3 comentários :

  1. Se aderida esta prática de uso com segurança, não deixa de ser um avanço científico! Afinal somente quem depende de medicamentos diários sabe como é conviver com eles! A cura ainda é um sonho, porém tudo que for feito para minimizar a problemática é muito bem vindo! Enquanto isso, a vida precisa prosseguir com os medicamentos que possibilitam a vida...

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  2. Seria otimo menos medicamentos...

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