"Dra. Marcia Rachid fala sobre a importância da adesão ao tratamento do HIV/AIDS"


"Outro assunto importante: Adesão ao tratamento"

Por: Dra. Marcia Rachid - Infectologista

Em 1996, surge a terapia combinada, chamada, popularmente, de coquetel, tornando possível reduzir rapidamente a carga do vírus no sangue. A supressão viral máxima tem que ser o objetivo do tratamento para recuperar a resposta imunológica. "A carga viral tem que estar suprimida (indetectável) em até seis meses de tratamento e não deve haver exceção (precisa avaliar motivos se não ficar). O paciente deve saber que o vírus está ali na corrente sanguínea e precisa ser controlado".

"Deve ser orientado que pode vencer o inimigo, pois quem faz o tratamento dar certo é o paciente, que deve se tornar o personagem principal da situação".

Tem que ser participante ativo e dominante. Ouvi relatos como: "fiz um trato com o vírus, se eu ficar vivo, ele vive também, desde que ele fique quieto lá no canto dele sem me atrapalhar". Vi um alarme num celular que ao tocar aparecia escrito: "hora de viver mais".

Ainda me impressiona como os pacientes conseguem tomar remédios por tantos anos seguidos (alguns há cerca de 20 anos e mantêm carga viral não detectada). É o máximo! Considero meus pacientes grandes HERÓIS!

São diversos os fatores que podem interferir na adesão ao tratamento: "Esquecimento ainda é o principal, seguido de efeitos colaterais, interações medicamentosas, depressão, mudanças na rotina, complexidade do esquema, falta de supervisão, doenças concomitantes, uso de álcool ou drogas ilícitas, não compreensão sobre a relação entre não adesão e resistência, dentre outros".

O acesso fácil à equipe de saúde em caso de urgências ou dúvidas é fundamental. Se for necessário interromper, procure o Serviço de Saúde para trocar, pois não pode parar primeiro e trocar depois. "A resistência viral pode acontecer. Algumas vezes, basta trocar um dos medicamentos do esquema para acabar com os efeitos colaterais (adversos)".

Não pare por sua conta própria!
O risco de falha e comprometimento de esquemas futuros é real!

Algumas dicas para médicos e pacientes:

 Procurar adaptar o esquema à rotina do paciente;

 Contar os comprimidos ao abrir um novo frasco;

 Preparar uma caixa de comprimidos (kit) para vários dias e levar sempre o kit na mochila, bolsa ou bolso;

 Ter sempre ao menos uma dose completa ou um kit na bolsa ou bolso para imprevistos;

 Preparar uma lista com os horários ou anotar na agenda e registrar cada dose tomada evitando perdas ou repetição de tomadas;

 Usar alarme do celular ou relógio de pulso com timer; ninguém é obrigado a lembrar. Alarmes são importantes. O horário não tem que ser exato, mas isso vai contribuir muito para lembrar todos os dias;

 Escolher um amigo ou familiar para ajudar a lembrar das doses nos primeiros dias ou semanas;

 Planejar e preparar antes de cada viagem um kit com mais doses do que as necessárias para o período previsto;

 Se a privacidade é importante, escolher e programar previamente o local onde será possível tomar os medicamentos se estiver no trabalho ou em outro ambiente com outras pessoas para evitar risco de esquecimento ou perda de doses.

Marcia Rachid

Um comentário :

  1. Parabéns pela matéria...Drª Marcia interage muito bem com os pacientes e sabe compreender as dificuldades enfrentadas!!! Aos poucos os profissionais vão se aperfeiçoando e facilitando a vida de quem necessita desses medicamentos diariamente...
    Obrigada Alexandre por sua dedicação em nos manter atualizados!!!

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