"Aspectos clínicos e impacto na saúde mental em pessoas que vivem com HIV"


Os avanços no tratamento de portadores do vírus HIV estão garantindo aos pacientes a possibilidade de viver por muito mais tempo e com qualidade. Diante da maior expectativa de vida, surge a necessidade de oferecer mais um cuidado às pessoas vivendo com o vírus: "a atenção em saúde mental". Este será o tema da palestra "HIV/AIDS: aspectos clínicos e impacto na saúde mental", que a médica infectologista Ana Flávia Bonini, de Santa Catarina, proferirá no evento "Evoluir Conhecimento", uma promoção do Núcleo Evoluir voltada a estudantes e profissionais da área de saúde.

Ana Flávia, que atualmente faz especialização em psiquiatria, conta que desde o aparecimento dos primeiros casos de HIV no Brasil, no início da década de 80, muita coisa mudou. "O que era basicamente uma sentença de morte deu lugar a uma infecção passível de controle", afirma. "Destacando que o uso da terapia antirretroviral altamente ativa, no início dos anos 90, revolucionou o tratamento".

"Quem faz uso correto das medicações e acompanhamento médico adequado pode ter uma vida regular e longa. Ao receber o diagnóstico, porém, é importante que o paciente seja bem orientado para desconstruir preconceitos, estigmas e eventuais resistências ao tratamento".

É muito comum que as pessoas experimentem ansiedade e até depressão ao se depararem com o diagnóstico, que vem muitas vezes acompanhado da perda do parceiro ou da parceira e conflitos conjugais. "Por isso o acompanhamento com psicólogo é um instrumento valioso para que o paciente trabalhe o viver com HIV", conta.

Ela destaca que a incidência expressiva de depressão e de transtornos ansiosos entre pacientes com HIV surgem a partir de dificuldades em lidar com o vírus, como consequência de doenças clínicas graves e limitantes e também pode ser que já existissem previamente. "Há pacientes com demências associadas a quadros avançados de Aids, mas com o tratamento potente, esses casos passaram a ser menos frequentes. São mais comuns os quadros de comprometimento cognitivo mais leve, muitas vezes não diagnosticado", destaca.

"A adesão ao tratamento, que provoca aumento na imunidade e melhora a autoestima e o bem-estar, são fundamentais para garantir qualidade de vida. Em muitos casos é necessário haver avaliação por psiquiatra e uso de medicações psicotrópicas, sempre com cautela para evitar interações medicamentosas, ensina". 

Após o diagnóstico, "o suporte da família e dos amigos é um aliado importante no tratamento, especialmente naqueles mais resistentes ao uso das medicações ou para pacientes clinicamente debilitados". A médica enfatiza, porém, que o preconceito ainda impede muita gente de expor a situação. "Infelizmente o preconceito é a pior doença, lamenta".

"Ana Flavia explica que hoje em dia os especialistas usam o termo comportamento de risco em relação às chances de contaminação pelo HIV. As pessoas mais suscetíveis ao vírus são aquelas que não praticam sexo seguro, o que independe do grupo social, pois há alta incidência de novos casos entre os jovens e também entre homens que fazem sexo com outros homens. É necessário educar as pessoas desde a infância para a prevenção e o sexo seguro, para prevenir doenças sexualmente transmissíveis e também para que sejam capazes de exercer uma sexualidade saudável, afirma".

A palestra será neste sábado (13/08), às 13:30 horas, no auditório do Edifício Torre de Pietra (Av. Ayrton Senna, 500 - Londrina).

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