Não é essa imagem que uma pessoa - QUE VIVE COM HIV - vê quando se olha no espelho!

Quando uma pessoa contrai HIV ela se torna portadora do vírus, mas não se transforma no vírus!

Se a pessoa, "que não é portadora", tem alguma dúvida sobre este "fato real" e insiste em enxergar o portador como se o mesmo fosse o vírus, é aconselhável procurar ajuda para tratar uma doença grave e altamente contagiosa que contraiu após o seu nascimento. Essa doença se chama PRECONCEITO. Ninguém nasce preconceituoso, na realidade essa doença é transmitida de pessoa para pessoa "como ensinamento", principalmente na primeira fase da vida.

"Porém, ao final dessa primeira fase da vida todas as pessoas têm o livre arbítrio para escolher se concordam, se aceitam, se querem continuar disseminando essa doença causada por conceitos desprezíveis, e se desejam continuar sendo preconceituosas definitivamente por opção própria".

Se a pessoa, "que é portadora", tem a mesma dúvida e se enxerga como se fosse o HIV, da mesma forma é aconselhável procurar ajuda, até porque nesse caso existe um agravante. Essa pessoa, além ter sido contaminada pela doença PRECONCEITO, foi também co-infectada, ou melhor, aceitou e permitiu ser co-infectada pela mais cruel "cepa" dessa doença: O AUTO-PRECONCEITO.

"Essa pessoa tem o livre arbítrio de escolher se quer continuar se auto-discriminando e permitindo que a discriminem. Mas também pode escolher outro caminho, se auto-valorizando e se auto-respeitando para resgatar sua auto-estima e o seu amôr próprio".

Apenas para ilustrar e exemplificar: Seguindo os raciocínios discriminatórios, deturpados e doentios que criam essa imagem "irreal", vamos imaginar os portadores de outras doenças e/ou vírus vistos dessa mesma forma:

A imagem do portador de DIABETES seria um "saco de açúcar";

A imagem de um portador de DENGUE seria um "mosquito Aedes aegypti ";

A imagem de um portador de câncer (de pele por exemplo) seria um "frasco de protetor solar";

E assim por diante. Seria até cômico se não fosse tão agressivo, cruel e destrutivo!

Eu, Alexandre Gonçalves de Souza, "poderia acreditar" que as pessoas quando se vissem diante de mães, pais, avôs, avós, irmãos, irmãs, parentes, amigos e amigas que infelizmente "contraíram" HIV, mudassem seus conceitos e preconceitos ao perceberem, enxergarem que:

"Ninguém, nenhum ser humano foi, é ou está imunizado contra o vírus e, claro, que uma pessoa que contrai um vírus não se torna um deles".

Eu disse, "poderia acreditar", mas na verdade gostaria de dizer "acredito". Infelizmente as atitudes "humanas" (???) na realidade do dia a dia não me permitem "acreditar". Mas, teimosamente eu acredito que ainda há uma chance de mudança caso as pessoas, ao invés de aceitarem passivamente a discriminação, REAJAM. Porém, sem usar "as mesmas armas, as mesmas violências, as mesmas hipocrisias, as mesmas insensibilidades, os mesmos preconceitos".

Ninguém tem o direito de impor a qualquer pessoa, imagens, rótulos, adjetivos que não condizem com sua condição de SER HUMANO e, portanto, uma pessoa que RESPEITA seu semelhante tem todo o direito de REAGIR E EXIGIR SER RESPEITADA DA MESMA FORMA!

Finalizo essa postagem substituindo a imagem irreal do início, pela real, normal e verdadeira imagem que uma pessoa que vive com HIV pode, deve e tem até a obrigação de ver quando se olha no espelho:


Por: Alexandre Gonçalves de Souza

Um comentário :

  1. Muito chik, arrazou!! É um atraso de vida este tal preconceito! Só acho que criticar é mais fácil do que acolher e conhecer...As pessoas se julgam imbatíveis e esquecem que o dia de amanhã não nos pertence!!! Tá mais do que na hora de vencer este estigma e tentar minimizar as dores que já são tantas...Esta problemática já causou muito sofrimento, então a vida pede tolerância, o ser humano precisa de respeito, ser visto como alguém que precisa de cuidados, + tbém precisa viver com dignidade, com amor e respeito!!!
    Parabéns Alexandre por tanta garra e tanta luz!!! Obrigada

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