Como vivem as pessoas soropositivas 35 anos depois dos primeiros casos de HIV/AIDS e após 20 anos da descoberta do tratamento antirretroviral?

(Imagem: Globo News)

"Esta e outras perguntas sobre o tema foram respondidas no documentário: 35/20: Do Pânico a Esperança, do autor e diretor Dario Menezes, que  foi exibido no sábado (26/11), na Globo News".

Ele refaz a história da epidemia a partir de depoimentos de pessoas que vivem com a doença no Brasil. No filme, é possível conhecer detalhes da vida dos que se infectaram nos primeiros anos da epidemia e também dos que souberam do diagnóstico recentemente. "Este documentário foi criado com a ideia de alertar a geração jovem, que não viu Cazuza e outros ícones morrerem em decorrência da Aids, de que a doença existe e está crescendo entre os mais novos. Os dados do governo e de órgãos internacionais comprovam isso. Muitos confundem tratamento com cura", explicou o diretor.

O tema despertou interesse no diretor quando ele mergulhou numa pesquisa sobre o movimento gay dos anos 70. O assunto foi objeto de outro documentário de Dario, o Abrindo o Armário, que estreia no cinema em abril de 2017. "Muitas histórias do movimento gay cruzam com a da Aids, então, criei um projeto, apresentei para a Globo News e a emissora abraçou a ideia. Em dois meses, criamos o 35/20: Do Pânico a Esperança, contou Dario.

Segundo o cineasta, a motivação também estava ligada ao fato de que há 35 anos os Estados Unidos registravam os primeiros casos e há 20 anos chegava no Brasil o coquetel antirretroviral. O autor teve o cuidado de selecionar diferentes personagens e histórias. Há o caso de uma mulher que se infectou na adolescência na primeira relação sexual, outro que contraiu o vírus ao compartilhar seringas. Há também uma mãe que fala do drama que viveu ao descobrir que infectou o filho na amamentação. Os garotos da Fundação Poder Jovem contaram como é nascer com o vírus e enfrentar a rebeldia nesta fase da vida.

O documentário foi dividido em três partes. A primeira refere-se ao passado, relembra os ídolos dos anos 80 e 90 que morreram em decorrência da Aids. Aborda, também,  um momento de incertezas da doença, quando a comunidade científica não sabia direito o que era essa doença. E fala dos anos 90, especificamente 1996, quando surgiu o coquetel antirretroviral. O segundo trecho está baseado na atual fase da epidemia. Os entrevistados falam sobre superação, dificuldades e os problemas enfrentados por eles.  Há ainda depoimentos de pacientes, médicos e especialistas sobre os efeitos colaterais que os antirretrovirais podem causar nas pessoas soropositivas.

"O programa levanta ainda a questão do supervírus,  que está se tornando resistente a vários medicamentos e criando novas perplexidades no tratamento, além de alertar que ainda se morre de Aids".

Num terceiro momento, Dario traz uma reflexão sobre o futuro da doença, abordando novidades sobre tratamento. Os depoimentos são mesclados o tempo inteiro com histórias contadas pelos infectologistas Draúzio Varella, David Uip, Márcia Rachid e Mauro Schechtter.

O autor e diretor do documentário contou que optou por não fazer a abordagem das novas tecnologias de prevenção, como a PrEP (profilaxia pré-exposição). "Não vi sentido, porque a PrEP ainda não está disponível no SUS", justificou Dario.  "Mas este trabalho não para por aqui. Já estamos negociando um grande debate na Globo News sobre PEP [profilaxia pós-exposição], PrEP e outros métodos de prevenção".


Fontes: Globo News - Agência de notícias da Aids

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