Em média, a cada dois dias, uma pessoa morre de Aids em Manaus!

Por: Gisele Rodrigues/D24am
Foto: Michael Dantas

Manaus: Em média, a cada dois dias, uma pessoa morre com Aids na Fundação de Medicina Tropical (FMT). A unidade de referência registrou, entre janeiro e setembro deste ano, 222 mortes de pacientes soropositivos, segundo dados registrados pelo Sistema de Informações Operacionais e Epidemiológicas (Vigweb). Em todo o ano passado, 223 pessoas tinham morrido com a doença. Os casos de mortes cresceram 34% este ano, mas o número de notificações de casos novos da Síndrome de Imunodeficiência  caíram 39%, saindo de 448 no ano passado, para 274 nos primeiros noves meses de 2016.
"De acordo com a coordenadora estadual de DST/Aids e Hepatites Virais, Silvana Lima, o medo do diagnóstico faz com as pessoas que possuem a suspeita de ter contraído o vírus não realizem os testes".
Ainda conforme a coordenadora, os índices registrados na FMT não representam a totalidade, mas em decorrência da unidade ser referência no tratamento e internação, os números da fundação são bem altos.
"O tratamento é eficaz, mas, principalmente, na fase em que as doenças graves não se instalaram, porque o medicamento é utilizado para paralisar a multiplicação do HIV. Agora, quando o paciente demora muito para buscar o diagnóstico e as doenças oportunistas já estão instaladas, é difícil se recuperar com relação à imunidade, detalhou".
Segundo ela, o diagnóstico melhorou, descentralizando os serviços nas unidades básicas de saúde, com a oferta de testes rápidos. Com o método, o paciente recebe o resultado em 30 minutos, após a coleta. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o teste rápido foi implantado na Policlínica Castelo Branco, no Parque 10 de Novembro, na UBS José Rayol, na Chapada, na UBS Santos Dumont, no Santo Antônio, na UBS Ida Mentoni, no São Jorge, e na UBS Deodato de Miranda Leão, no bairro Glória.

Uma lista com todas as unidades está disponível no site do órgão (semsa.manaus.am.gov.br). Os exames estão descentralizados nas UBS, no site da Prefeitura tem uma lista. Tem na FMT, no Alfredo da Mata, nas maternidades, para as grávidas em trabalho de parto, e nas Unidades Básicas de Saúde.
"Agora, tem gente que, ainda, tem vergonha de fazer o tratamento perto de casa, com medo que seja reconhecido, porque ainda é uma doença muito estigmatizada", afirmou.

O HIV deixou de ser direcionado apenas ao grupo de risco, hoje, segundo Silvana, a doença é mais perigosa para quem apresenta um comportamento de risco. "O primeiro deles, conforme a coordenadora, é manter relações sexuais sem o uso do preservativo".
"Não existe mais o grupo de risco, hoje, há o comportamento de risco. A gente nunca sabe se o parceiro está se cuidando. Muitas vezes, temos casais estáveis que um dos parceiros transmitiu a doença. Basta ter relação sem camisinha, apenas uma vez, que você já está exposto, também, já tivemos casos em que o adolescente na primeira relação contraiu, disse".
A coordenadora salienta que pessoas com multiplicidade de parceiros, os profissionais do sexo e usuários de drogas com compartilhamento de agulhas estão mais expostos à doença, devido o comportamento de risco ser mais recorrente.

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