"Assistência prestada no SUS em serviço no Rio de Janeiro zera a transmissão vertical de mães infectadas para bebês e renova esperanças de pais e filhos"


"3ª geração do HIV: netos de soropositivos e a vida sem o vírus"

Com oito meses de vida, ativo e saudável, o pequeno Gabriel brinca no colo da mãe enquanto ela fala da sua experiência como portadora do vírus HIV, em entrevista ao telefone. "A carioca Tatiane, de 20 anos, deu a luz ao filho em março e desde os 11 anos realiza tratamento para controlar o HIV no Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP), do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE)". Ela foi infectada ainda na barriga da mãe, "a chamada transmissão vertical. Seu filho nasceu sem vírus, após passar por um tratamento especializado no pré-natal, com a mesma equipe que a acompanhou no HFSE".

Tatiane tomava "cinco comprimidos antirretrovirais por dia, ao longo da gestação e, ao nascer, o seu filho tomou remédios por 28 dias para completar a terapia". A assistência foi prestada pelo Programa de Prevenção de Transmissão Vertical do HIV do HFSE, "que existe há duas décadas e promove estratégias para interromper este tipo de infecção, garantindo uma vida mais saudável para a terceira geração destas famílias".

Maria Letícia Cruz, médica do DIP, publicou um artigo sobre a interrupção de infecção por HIV de mães para filhos, no qual relata o acompanhamento da gestação de 22 soropositivas, entre 2011 e 2014. Ela explica a abordagem para que todos os bebês nascessem sem o HIV:

"Muitas crianças e adolescentes soropositivos não realizaram o tratamento corretamente e isso pode gerar uma resistência aos antirretrovirais. Para ter uma carga viral baixa, não pode haver interrupção de doses da medicação e por vários fatores isso acontece. Pacientes desistem do tratamento, por exemplo. Quando essas jovens ficam grávidas, iniciamos o pré-natal especializado para não ocorrer a infecção do bebê, explica Letícia".

Segundo a especialista, "a resistência a antirretrovirais demanda uma atenção individualizada para investigar geneticamente o vírus e adotar uma conduta terapêutica adequada ao perfil da paciente e a sua respectiva carga viral". Esse mapeamento torna mais eficiente o tratamento - com medicações disponíveis pelo Sistema único de Saúde (SUS), a fim de interromper a transmissão do vírus para o feto. "Os resultados afetam positivamente a vida de pessoas como Tatiane, trazendo esperança à terceira geração de familiares dos pacientes infectados com HIV no Brasil".

*Nomes dos personagens foram trocados para preservar a identidade dos pacientes*

Por: Pâmela Pinto
Fonte: Ministério da Saúde - Assessoria de Comunicação Social/RJ

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