O senso comum pode até induzir à ideia de que profissionais de saúde que lidam com pacientes portadores de HIV correm mais riscos do que aqueles que tratam outros pacientes. Um engano!


O protocolo de atendimento “para todos os pacientes” deve ser o mesmo!

De acordo com o infectologista Jean Gorinchteyn, Médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo”, responsável pelo Ambulatório de Aids no Idoso e mestre em doenças infecciosas, com vários trabalhos publicados sobre o tema. “É muito importante que no manuseio de sangue, fluidos corporais e secreções seja usado luvas para sua manipulação. Elas não podem ser mexidas de forma direta. Não só por causa do HIV, mas pela presença de outros vírus como hepatite B e C, explica”.

No entanto, no caso de um acidente em que o profissional tenha contato com sangue, fluidos corporais ou secreções, “as preocupações são menores quando o paciente sabe da sua sorologia. Pessoas que não são sabedoras de sua condição requerem muito mais cuidados para prevenir a contaminação”. O que muda é que o fato de ele ser soropositivo, conhecer a carga viral, o seu perfil de imunidade, ser sabedor se tem hepatite B ou C, “é um atenuante em termo de algumas preocupações que se teria caso esse paciente não soubesse, conta o médico”.

Trocando em miúdos, “um paciente bem informado e consciente de sua condição ajuda da segurança dos profissionais que o tratam. Pacientes que não sabem de sua sorologia podem ter o vírus da mesma forma, com a desvantagem da falta de informação”. Se algum acidente ocorrer, o protocolo deve ser aplicado imediatamente. “O início da profilaxia pós-exposição em decorrência do acidente é absolutamente importante para impedir a evolução da doença”, explica o profissional.

“Vale ressaltar que nenhum profissional pode ou deve se recusar a tratar um paciente soropositivo, sob pena de ser acusado de prática discriminatória. Ele tem que fazer o atendimento obrigatoriamente. Não existe motivo algum para isso. Isso é interpretado como prática discriminatória e sem o menor sentido nos dias de hoje, alerta Gorinchteyn”.

“O mesmo vale para profissionais que são portadores do HIV. Eles têm o direito ao tratamento igual ao de qualquer outro funcionário e não deve ser afastado de suas funções. Esses profissionais continuam agindo, atuando e, sabedores de sua doença, se cuidam ainda mais. Isso não os impede de forma alguma de sua atividade profissional, afirma o infectologista”.

Nenhum comentário :

Postar um comentário