"Crise no Espírito Santo deixa pessoas que vivem com HIV sem acesso aos antirretrovirais"


Com a greve da polícia militar e a decorrente crise na segurança pública no estado do Espírito Santo, pacientes que vivem com o HIV estão com dificuldade de acesso aos medicamentos. Um casal sorodiscordante, morador de Vitória, e que preferiu não se identificar, procurou a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS em busca de orientação. O Espírito Santo hoje contabiliza um total de 14.410 casos de AIDS notificados no estado, de acordo com o último Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS do Ministério da Saúde referentes ao período 1980 a 2016.

"Segundo o casal, os Centros de Testagem e Aconselhamento (que fornecem a medicação), na Grande Vitória, estão fechados. Buscamos a medicação, sem sucesso, em todos os CTAs. Ligamos para inúmeros telefones da secretaria municipal e estadual de saúde também sem sucesso, relatou o enfermeiro F., de 31 anos, soronegativo, que tem um relacionamento há 3 meses com G., 28, que é soropositivo".

A população que vive com HIV não foi informada sobre possíveis alternativas de locais para retirada dos remédios. Após muita busca, G. conseguiu o antirretroviral e manteve o tratamento. Porém, nem todas as pessoas que vivem com HIV tem tido a mesma sorte. "Através de contatos, descobri que a farmácia do Hospital das Clínicas abriria nesta quinta-feira. Foi onde conseguimos pegar o medicamento. Não tem nenhuma nota oficial de nenhum órgão de como proceder. Foi uma busca nossa, de ligar para vários colegas da saúde para saber onde retirar o medicamento", relatou F.

Antes da greve, os CTAs não apresentavam problemas de distribuição dos antirretrovirais para as pessoas que vivem com HIV. Em razão do agravamento da crise na segurança  pública, diversas unidades de saúde estão sem expediente devido à falta de funcionários.

"O resultado disso, pessoas que vivem com HIV e outros serviços estão sem acesso ao tratamento. Até a maternidade do Hospital das Clínicas está fechada. Começam a fechar também as UPAs e outros Pronto Atendimentos por super lotação e falta de funcionários, denunciou F".

FONTE: ABIA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA INTERDISCIPLINAR DE AIDS
OBSERVATÓRIO NACIONAL DE POLÍTICAS DE AIDS

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