“Histórias Posithivas-5: Conheça as histórias de quem vive e convive com HIV”


"Rosinea da Rosa nasceu em 1972, na cidade de Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre (RS). Ainda hoje vive lá. É virginiana; ativista; fala com as delicadas mãos; tem os fartos cabelos lisos sempre presos num rabo de cavalo; e está oficialmente desempregada. Até 2009, foi auxiliar de limpeza de uma companhia aérea, mas a osteoporose precoce que acomete seus joelhos dói muito, 'bah, nem me fale', e a impede de trabalhar. Ainda assim a história de Rosinea é feliz".

A infância em Alvorada foi tipicamente tranquila, mas a jovem Rosinea casou-se muito cedo e tornou-se mãe de uma menina aos 23. O casamento durou apenas dois anos. O ex-marido tem sido ao menos 'um pai presente para a filha Débora, hoje com 20'. Então, novamente solteira e ainda muito jovem, Rosinea passou a procurar diversão, 'mas sempre fui recatada'. Um dia, conheceu alguém e o relacionamento logo se aprofundou. Ele era misterioso: às vezes, 'sumia do mundo', diz Rosinea.

"O mistério era ainda maior do que ela imaginava: repentinamente, o namorado a surpreendeu com uma revelação bombástica: ele tinha HIV. Assustada, ela correu para se testar e, sim, de forma inexorável, descobriu-se também soropositiva. E aí o mundo acabou, diz. O ano era 2004".

'Eu fiquei muito brava', ela diz, mas, ainda assim, apaixonada e muito vulnerável, manteve o relacionamento. Por um tempo. Logo percebeu que, além dela, o namorado tinha uma ex-mulher e outra atual (que acabara de engravidar). Assim, a relação que mudou a vida de Rosinea para sempre durou três anos e acabou. 'Fiquei em depressão total: era cigarro, café e computador o dia inteiro', ela conta, apertando as mãos ao se lembrar do momento escuro.

Por oito longos anos, o HIV parecia adormecido no organismo de Rosinea. Ela relutava em aceitar sua sorologia, mas fazia exames regulares para avaliar a contagem de células CD4. As células CD4 são as mais importantes do sistema imunológico, que protege o organismo contra infecções e doenças. A sua contagem revela quantas células desse tipo estão presentes em uma única gota de sangue; 'quanto maior o número de células CD4 no organismo, melhor'. Em 2012, a imunidade de Rosinea caiu. Mesmo sem adoecer, ela procurou ajuda.

"Iniciado em 2013, o tratamento antirretroviral a trouxe, três anos depois, à carga viral plenamente indetectável".  

A propósito: carga viral indetectável é a condição de uma pessoa soropositiva que atingiu a supressão do vírus como resultado do uso consistente de medicamentos antirretrovirais. 'Quem tem carga viral indetectável não está curado do HIV, mas, enquanto mantiver o tratamento antirretroviral, tem o vírus controlado e preso em certas células do organismo, sem se multiplicar, sem danificar o organismo e sem ser transmissível'.

Quando iniciou o tratamento, Rosinea muniu-se de coragem para contar o que estava acontecendo à filha adolescente. 'Ela me abraçou forte e disse: vamos juntas, mãe, conta'. À mãe idosa, não quis contar: 'Ela se preocupa demais comigo'. Hoje, Rosinea sorri. 'Estou bem boa, agora, brinca. Ela está namorando; ele também é soropositivo; juntos, vivem uma relação de amor e cumplicidade. Tudo começou quando Rosinea entrou em um grupo de relacionamento, no WhatsApp, de pessoas heterossexuais soropositivas. Mas a gente fala de tudo, menos de HIV', confidencia.

"Ainda assim, apesar da relação soro-igual, quando ambos os parceiros têm HIV, Rosinea e o namorado cuidam um do outro para evitar a reinfecção: Sexo, só com preservativo feminino ou masculino"

No Brasil, o Sistema Único de Saúde coloca à disposição uma série de alternativas para a prevenção ao HIV, por meio da chamada 'prevenção combinada', que inclui, além do uso dos preservativos masculino e feminino, a adesão da pessoa soropositiva ao tratamento antirretroviral, rumo à carga viral indetectável. Essas medidas preservam a saúde do portador e não oferecem risco para o parceiro soro-diferente, que não tem HIV.

Agora, Rosinea sabe muito sobre prevenção e tratamento do HIV, e se dedica ao ativismo no Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP), que também a sustenta. Fundada em 2005, a organização não governamental atua como rede em defesa dos direitos de mulheres vivendo com HIV/Aids, formando-as nas temáticas de direitos humanos, estigma e discriminação, saúde sexual e saúde reprodutiva e controle social de políticas públicas e promovendo o seu fortalecimento individual e coletivo, entre muitas outras ações.

"Se melhorar, estraga, diz Rosinea, ainda sorrindo".

Fonte: Histórias Posithivas
Departamento IST, Aids e Hepatites Virais
Ministério da Saúde

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