QUEM VIVE COM HIV/AIDS PODE RECEBER A VACINA CONTRA FEBRE AMARELA?


"FEBRE AMARELA: INFORMATIVO À POPULAÇÃO ELABORADO PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA"

A febre amarela é uma doença causada por um vírus, sendo transmitida por mosquitos. A doença pode ocorrer nas regiões de matas e nos ambientes silvestres, por esta razão chamada febre amarela silvestre, quando a doença ocorre nas cidades é chamada de febre amarela urbana. A febre amarela silvestre é transmitida por mosquitos chamados de Haemagogus e Sabethes. A febre amarela urbana é transmitida pelo Aedes aegypti. Apesar das duas formas da doença, não há diferença de sinais e sintomas. Não há relatos de transmissão de febre amarela direta entre pessoas.

O vírus ocorre em locais de clima tropical sendo mais comum na América do Sul e na África. A doença é chamada assim, porque o paciente pode ficar com o corpo todo amarelo, condição chamada de icterícia. Apesar de ser considerado um vírus perigoso, pois pode causar formas graves e morte, a maioria das pessoas não apresenta sintoma e evolui para a cura. Qualquer pessoa não vacinada que resida ou viaje para as áreas com risco de transmissão da doença possui risco de contrair a febre amarela. "O risco é maior para as pessoas com mais de 60 anos de idade e qualquer pessoa com alterações no sistema de defesa, como pessoas vivendo com HIV/Aids, transplantados, pessoas com doenças reumatológicas que usam imunossupressores, entre outros".

"SINTOMAS"

A maioria das pessoas que adquire o vírus da febre amarela não apresenta sintomas. Quando os sintomas aparecem, as pessoas têm febre baixa, dores musculares em todo o corpo, principalmente nas costas, dor de cabeça, dor nas articulações, náuseas e vômito e fraqueza. Esses sintomas duram entre três e quatro dias podendo desaparecer. Alguns pacientes podem ter sintomas mais graves cerca de 24 horas após a recuperação dos sintomas mais simples. Existem casos que já começam com sinais bastante graves, atingindo vários órgãos do corpo, principalmente o fígado e os rins. Os sintomas dessa fase são febre alta, icterícia (amarelidão) pela inflamação no fígado, vômitos com sangue, urina escura, sangramentos de pele e olhos avermelhados. Em casos mais graves o paciente pode evoluir muito mal e morrer.

"TRATAMENTO"

Não existem medicamentos específicos contra o vírus da febre amarela. Não devem ser utilizados anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico (AAS). As formas graves são tratadas no ambiente hospitalar. 

"VACINAÇÃO CONTRA FEBRE AMARELA"

A forma mais eficaz de evitar a febre amarela é por meio da vacinação. A vacina é constituída de vírus vivo atenuado, isso quer dizer que ele foi enfraquecido para não causar doenças em pessoas saudáveis. O vírus age estimulando o organismo a produzir a própria proteção contra o vírus e o efeito aparece cerca de 10 dias após a injeção. Apresenta eficácia acima de 97,5% e a proteção persiste por mais de 40 anos.

"QUEM DEVE RECEBER A VACINA"

A vacina está indicada a partir dos 9 meses de idade. Porém, em condições de surto, poderá ser antecipada para os 6 meses de idade. A aplicação é por via subcutânea. No Brasil, são recomendadas duas doses:

• Crianças: a primeira dose aos 9 meses e 1 dose de reforço aos 4 anos;

• Crianças maiores de 5 anos de idade não vacinados, ou adultos não vacinados: deve ser aplicada 1 dose, com um reforço em 10 anos;

• Maiores de 5 anos com 1 dose realizada antes dos 5 anos de idade: 1 dose de reforço.

"QUEM NÃO DEVE RECEBER A VACINA"

Nem todas as pessoas podem ou devem receber a vacina, necessitando sempre indicação médica. Algumas situações clínicas aumentam o risco de complicações com a vacina, e contraindicam a aplicação, como as citadas abaixo:

• Pessoas com alergia a algum componente da vacina e alergia a ovos e derivados;

• Doenças que levam a alterações no sistema de defesa nascidas com a pessoa ou adquiridas, incluindo as terapias, como quimioterapia e doses elevadas de corticosteroides;

• Histórico de doença do timo (órgão linfático), incluindo a miastenia grave, timoma (câncer no timo) ou remoção do timo anteriormente;

• Indivíduos sintomáticos infectados pelo HIV que estejam doentes ou apresentam defesas baixas (CD4 abaixo de 200 células/mm3);

• Crianças menores de 6 meses de idade.

"SITUAÇÕES QUE NECESSITAM AVALIAÇÃO ESPECIAL"

Há situações especiais na qual a indicação da vacinação deverá ser avaliada pelo seu médico que irá expor qual o risco e o benefício de receber ou não a vacina. Alguns exemplos que seu médico deve avaliar:

• Crianças entre seis e oito meses;

• Pessoas com idade acima de 60 anos;

• Gestantes;

• Mulheres amamentando crianças menores de seis meses.

"REAÇÕES QUE PODEM OCORRER APÓS A VACINAÇÃO"

As reações que podem acontecer após a vacinação são raras, mas quando ocorrem, necessitam ser avaliadas pelo médico.

• Reações muito comuns: dor de cabeça, reações no local de aplicação como dor, vermelhidão, hematomas, inchaços, que podem ocorrer em até 2 dias depois da vacina;

• Reações comuns: náusea, diarreia, vômito, dor muscular, febre e cansaço, que podem ocorrer após o terceiro dia da vacina;

• Reações incomuns (menos de 0,1% dos pacientes): problemas neurológicos, como infecção no sistema nervoso, que ocorrem de 7 a 21 dias depois da aplicação da vacina;

• Reações raríssimas (poucos casos descritos no mundo): dor abdominal e dor nas articulações, icterícia (amarelão), falta de ar, urina escura, sangramentos, perda da função do rim, que pode ocorrer em até 10 dias após a aplicação da primeira dose de vacina.

PESSOAS QUE VIVEM COM HIV PODEM RECEBER A VACINA CONTRA FEBRE AMARELA?

Segundo o infectologista José Valdez Madruga, diretor da Unidade de Pesquisa de Ensaios Clínicos do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids) de São Paulo, "as pessoas vivendo com HIV/Aids podem se vacinar contra a doença, mas o CD4 (células de defesa) do paciente deve ser maior do que 350".

A VACINA NÃO É INDICADA PARA O PACIENTE COM BAIXA IMUNIDADE!

Valdez disse ainda que nem todas as pessoas vivendo com HIV precisam se vacinar neste momento. "A prioridade é vacinar quem mora ou vai viajar para as regiões onde se concentram os casos, como no leste de Minas Gerais, e Presidente Prudente (SP), por exemplo".

SUGESTÃO DO AUTOR DESTE BLOG:

Você que vive com HIV realiza seu tratamento contínuo sob orientação do "seu médico infectologista", sendo que é este profissional que conhece a fundo o seu histórico de saúde e, portanto, o único que pode e deve avaliar "se você pode ou não receber a vacina contra febre amarela". Dessa forma eu sugiro que você fale com ele a respeito e siga suas instruções!

FONTE/LINK: SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA (SBI)

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