Sem remédios, portadores de DOENÇAS RENAIS e HIV/AIDS, se viram para sobreviver!


Por: Priscilla Costa, da Folha de Pernambuco

Desde que adquiriu a doença renal crônica (DRC), há quatro anos, o paciente Mário Januário, 37 anos, vive o drama da incerteza para adquirir os remédios pela Farmácia do Estado e conseguir dar continuidade à sua diálise. "Porém, por seis meses ininterruptos, ele vem tirando do próprio bolso o recurso para custear os medicamentos em farmácias de manipulação. Ou é assim ou Mário Januário não segue com seu tratamento numa clínica no Cabo de Santo Agostinho, Grande Recife, a 25 quilômetros de onde mora, no município de Escada, Zona da Mata Sul".

Assim como ele, outros pacientes que precisam fazer diálise denunciaram à Folha de Pernambuco a falta de duas drogas nos estoques do Estado: Sevelamer e Hemax. "Não tenho condições financeiras para ficar mantendo o tratamento. Mas, também sinto pânico só em pensar que meus rins podem parar de funcionar", desabafa Januário. Por R$ 70, ele compra 260 cápsulas do Sevelamer combinado com carbonato de cálcio, o que só dá para mantê-lo por um mês.

O problema também se reflete nos "pacientes soropositivos", que têm se queixado da ausência de antirretrovirais nas prateleiras da Farmácia do Estado. "Nessas pessoas, a situação se torna ainda pior, visto que o vírus do HIV fica ainda mais resistente e tende a se multiplicar sem o devido controle. Na lista de antirretrovirais, estão em falta o Raltegravir, Lamivudina e Efavirenz".

Todo mês é isso! Quem é soropositivo precisa ter segurança médica, pois se a imunidade baixa, a gente fica doente. Uma gripe para a gente é fatal. Eu uso o (coquetel) AZT e o Lamivudina, "mas esses já estão entrando na lista vermelha", preocupa-se o paciente José Cândido da Silva, representante da Rede Nacional das Pessoas com Aids.

O prazo acordado entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a Secretaria de Saúde para regularizar o estoque da Farmácia do Estado termina em 20 dias. "A gestão estadual ainda está dentro do prazo do cronograma apresentado por ela à promotoria. A partir de 1º de março, esse cronograma já perde a validade", salienta a promotora de Justiça Ivana Botelho. Caso a SES não cumpra com o acordo, "o MPPE entrará com ação pedindo o bloqueio de verbas para comprar os medicamentos. Em novembro foi registrado pelo Ministério Público um déficit de 46% do estoque da farmácia".

Em nota, a SES esclarece que: "os medicamentos Sevelamer e Hemax são fornecidos pelo Ministério da Saúde. No caso do primeiro, a Farmácia encontra-se com o estoque do medicamento normalizado. Já em relação ao Hemax, o Ministério informou que está finalizando a aquisição do produto par a enviar o insumo aos estados". Já em relação aos antirretrovirais, o órgão estadual afirma que: "nos últimos meses, o Ministério da Saúde tem feito a entrega de forma irregular e acrescenta que “a Farmácia vem dialogando com o órgão para regularizar a situação".

Em relação aos medicamentos citados: "Raltegravir, Lamivudina e Efavirenz", já foi solicitada a reposição pelo Ministério da Saúde. Sobre o Tenofovi, a SES assegura que não há medicamentos vencidos. "Alguns lotes distribuídos em janeiro e fevereiro venciam no fim dos respectivos meses, podendo ser consumidos normalmente pelo paciente dentro do período da validade. Uma nova remessa deve chegar ao Estado nos próximos dias", conclui. "A reportagem entrou em contato com o MS, mas não obteve retorno".

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