"Direitos reprodutivos de mulheres com HIV são defendidos pela infectologista Mariliza Henrique em Fórum realizado na cidade de São Paulo"


"A contracepção e o direito reprodutivo da mulher que vive com HIV não é conversada. Os médicos não falam ela sobre isso. A maioria diz que esse assunto cabe ao ginecologista. E, por conta da sorologia, o especialista acha melhor ela não engravidar. Mas quantos perguntam isso a ela?, questionou a infectologista Mariliza Henrique, do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo".

A maioria das mulheres que vivem com HIV iniciam a vida sexual mais cedo, antes dos 15 anos. Em 60% dos casos, a primeira gestação acontece antes dos 20 anos. "Quando a gravidez não é planejada, o pré-natal é inadequado ou ausente. Em 90% dessas gestações o vírus é transmitido da mãe para o bebê". Essas afirmações foram apresentadas pela Dra. Marliza, na tarde desta segunda-feira (27/03), durante 3º Fórum Planejamento Reprodutivo: avanços em políticas públicas para mulher e Seminário Internacional de Boas Práticas.

Segundo a especialista, no Brasil, 54% das mulheres que não vivem com HIV não planejaram a gravidez. "Entre as soropositivas, esse número é de 83% e 70% delas engravidou depois do diagnóstico de HIV. No entanto, 48% estavam em uso de algum método contraceptivo". Práticas sexuais de risco, uso de drogas, violência doméstica e ofertar a camisinha como o único método contraceptivo disponível, segundo a infectologista, "são fatores de risco que colaboram com a vulnerabilidade da mulher para uma gravidez indesejada".

"Mulheres com HIV têm o direito a uma decisão consciente sobre que métodos anticonceptivos que vão usar. Também, se querem ou não ter filhos. Elas devem ser orientadas sobre quais métodos estão disponíveis no SUS. Saberem desde o mais ao menos eficaz e assim tomarem uma decisão sobre aquilo que querem, afirma a Dra. Mariliza".

O número de homens soropositivos que desejam ter filhos é de 43%. Já o de mulheres é de 30%. Cerca de 20% desse total se envolve em relações sexuais desprotegidas com a intenção de conceber um filho. "As tentativas de uma concepção sem orientação ou planejamento expõe o parceiro soronegativo ao maior risco de uma infecção pelo HIV, além de aumentar a taxa de transmissão do vírus para a criança. É preciso acompanhamento médico", explica a médica. "O risco de um parceiro soronegativo se infectar pelo HIV, segundo a médica, é 1,8 vezes maior, quando também ocorreu concepção. A maioria das pessoas infectadas nessas condições adquiriu o HIV 6 meses antes da concepção ou durante os 6 primeiros meses de gravidez", continua.

"A redução da carga viral para níveis indetectáveis reduz para 2% o risco de transmissão pelo HIV. O uso do tratamento antirretroviral apresenta 96% de chances de prevenir a transmissão horizontal do vírus".

A Dra. Mariliza também chamou a atenção para a falta de orientação em casos de resultado negativo para uma gravidez: "Se uma mulher vai fazer o teste de gravidez e o resultado dá negativo, ninguém conversa com ela sobre prevenção, ela simplesmente vai embora. Prevenção é depois do resultado, temos que conversar, testar e orientar. Neste bate-papo é possível falar de uma gravidez não planejada e das infecções sexualmente transmissíveis".

De acordo com o Dr. Luiz Barramontes, professor e pesquisador na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o Brasil gasta mais de R$ 4 bilhões por ano com uma gravidez indesejada, são R$ 2.293 por gestação. "Se metade disso fosse usado na prevenção dessas gestações, teríamos um cenário social muito melhor".

Por: Daiane Bomfim

Fonte: Agência de Notícias da Aids

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