"Representantes da amfAR(EUA) dizem que o ano de 2020 poderá ser marcado pela descoberta da cura da Aids"


Participando da Conferência sobre HIV/aids – Comunidade de Pesquisa e Cura, realizada em conjunto com o XII Curso Avançado de Patogênese do HIV, nesta quarta feira na Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), representantes da Fundação amfAR (EUA) destacaram que pouco mais de uma década atrás a comunidade científica não levava a sério a possibilidade de uma cura para a Aids, "mas o cenário mudou radicalmente nos últimos três anos". A vice presidente e diretora de pesquisa da amfAR, Rowena Johnston, "ressaltou que são realizados atualmente, em vários lugares do mundo, tantos estudos com o objetivo de encontrar um tratamento curativo para HIV/Aids, que é certo que essa meta será alcançada".

"Não podemos apontar qual será o projeto realizado hoje que levará à cura, mas podemos ter certeza de que ela virá. Temos estudos promissores, não só como macacos, mas também com humanos, afirmou".

A iniciativa "Contagem regressiva para a cura da Aids" foi lançada pela amfAR em 2015, com investimento de US$ 100 milhões. A fundação patrocina pesquisas com esse objetivo desde 2002, tornando­-se, assim, a primeira instituição do mundo a se dedicar à busca da cura. "Diziam, lá em 2002, que estávamos desperdiçando dinheiro e tempo, que uma cura para a Aids nunca seria possível. Mas hoje estudos do mundo inteiro estão nesse caminho, seja trabalhando com anticorpos, seja com terapias genéticas ou células ­tronco, disse Rowena".

"Segundo ela, o principal obstáculo para alcançar a cura é o reservatório, locais do corpo humano em que o HIV se esconde, dificultando o alcance pelos medicamentos antirretrovirais. Talvez bloquear a divisão das células seja um caminho".

Rowena explicou que o reservatório está em sua maioria nas células CD4, mas também em outras células, "algumas comuns, outras raras" e que, mesmo com a aparente eliminação do reservatório, é difícil contar as células uma a uma. Como no câncer, o vírus pode permanecer em uma célula apenas. Ela ainda ressaltou que a maior parte das pesquisas é feita em países de alta renda, onde a população tem acesso a uma boa alimentação e boa qualidade de vida. "Em sua opinião, para dar certo, a cura deve ser de fácil aplicação, contar com estrutura médica suficiente e ser acessível financeiramente".

Para o Dr. Esper Kallás, especialista em doenças infecciosas e professor de medicina da Divisão de Imunologia Clínica e Alergia da USP, "a cura é uma perspectiva ambiciosa, mas temos que lutar para que dê certo. Resultado científico não é previsível completamente. A gente tem alguns caminhos que apontam sim ou não, mas é só o resultado da pesquisa que vai dizer", afirma o especialista. Questionado pela Agência de Notícias da Aids sobre quais estudos ou pesquisas teriam chance de alcançar a meta da iniciativa da amfAR, Kallás disse que:

"A terapia celular  é uma pesquisa promissora e o uso de anticorpos para a erradicação viral vem se posicionando como uma alternativa bastante forte. O esvaziamento do reservatório viral perdeu um pouco de força com alguns resultados mais recentes, mas no final das contas, acho que a combinação de tudo isso é que vai dar certo, concluiu".

Existem 44 milhões de pessoas infectadas pelo HIV hoje no mundo. Até hoje, apenas uma cura foi
validada: "a de Timothy Ray Brown, conhecido como o paciente de Berlim". Ele foi infectado em 1995 e, em 2006, também descobriu estar com leucemia. "Depois disso, recebeu um transplante de medula óssea de um doador com mutação no gene CCR5, e, desde então não tem mais o vírus HIV no corpo". A vice­ presidente da amfAR destacou que o caso de Brown foi um grande "despertador" para a comunidade científica.

"No Brasil, há 842 mil pessoas notificadas com HIV, segundo o Ministério da Saúde. Estima-­se, no entanto, que o número real chegue a mais de 1,2 milhão, já que uma parcela significativa dos infectados não sabem da própria condição porque nunca fizeram o teste".


Fontes: O Globo e Agência de Notícias da Aids

Nenhum comentário :

Postar um comentário