"Fundação de Medicina Tropical de Manaus vai testar um novo tratamento para prevenção de doenças cardíacas em pessoas que vivem com HIV"


A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), anunciou, nesta quinta-feira (27), o início dos testes de um novo medicamento de controle do colesterol na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto e o derrame cerebral, em pessoas portadoras do vírus HIV.

"No Brasil, cerca de 50% das mortes de pacientes com o HIV são causadas por doenças cardiovasculares, segundo o diretor de ensino e pesquisa da instituição, Marcus Lacerda que coordena o projeto em Manaus. A pesquisa pioneira é comandada pela Universidade de Harvard".

Os testes do tratamento inédito vão dar a oportunidade a 120 pessoas do Amazonas, portadoras do vírus, de levar uma vida melhor. A novidade consiste no uso, por pessoas com HIV, de uma medicação chamada PITAVASTATINA, que integra um grupo de medicamentos que tem na composição a estatina e que é utilizada para o controle do colesterol.

"Para participar dos testes, que já estão em andamento, os voluntários devem estar na faixa etária de 40 a 75 anos e fazendo tratamento contra HIV, no mínimo, há seis meses. Os interessados em fazer parte do estudo podem obter maiores informações pelos telefones 98181-9272, 99302-9272 ou 2127-3577 ou dirigir-se até o setor de Enfermaria de Pesquisa Clínica da FMT-HVD, localizado na avenida Pedro Teixeira, 25, bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste da cidade".

A FMT-HVD é uma das oito instituições do Brasil a participar da pesquisa, que é inédita no mundo. Os testes do novo tratamento deverão abranger 6.500 mil voluntários em todo o Planeta. Além do Brasil, estão participando da pesquisa, denominada "Estudo randomizado para prevenir eventos vasculares em HIV (REPRIEVE)", países como Estados Unidos, Porto Rico, África do Sul, Botswana e Tailândia.

No Brasil, além de Manaus, participam do estudo centros de pesquisas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Os 120 voluntários de Manaus vão passar a ser acompanhados por um período de até cinco anos para verificar se a medicação, de fato, previne contra as doenças cardiovasculares  em pessoas com HIV. "Se confirmada a redução do risco, a expectativa é que o Ministério da Saúde indique esse medicamento para pacientes com HIV", ressaltou Marcus Lacerda, diretor de Ensino e Pesquisa da instituição, que falou ontem com a imprensa junto com Graça Alecrim, diretora-presidente da Fundação de Medicina Tropical, e Kim Marinho, enfermeiro e coordenador do estudo em Manaus.

"Em pessoas que vivem com HIV, é 40% maior o risco de desenvolvimento de problemas cardiovasculares".                       

A pesquisa é financiada pelo National Heart Lung e Blood Institute, do National Institutes of Health (NIH). "A diretora Graça Alecrim explica que o vírus HIV desencadeia um processo inflamatório nas células do organismo e, por isso, o risco das doenças cardiovasculares é maior nesses pacientes". Segundo ela, a vantagem é que, "diferente das outras estatinas disponíveis no mercado, a PITAVASTATINA não reduz a eficácia dos medicamentos usados no tratamento do HIV, ela tem menos interações com o coquetel que é usado pelos pacientes que têm HIV/Aids e está sendo proposta como medicação profilática". O Estado do Amazonas se propôs a incluir 150 voluntários e nós ainda estamos recrutando eles. Um grupo vai usar a droga e outro não, informou o diretor e ensino Marcus Lacerda.                      

"Em caso de eficácia do medicamento nos testes em todo o País, o diretor de ensino e pesquisa Marcus Lacerda informou que o estudo será interrompido e o Ministério da Saúde passará a adquirir a PITAVASTATINA para ser utilizada na população brasileira com HIV/Aids".

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