Hepatite C pode ser curada em pacientes co-infectados com HIV!

Por: Jeová Fragoso - Diretor-presidente do Grupo Esperança

"Os portadores de HEPATITE C no estado de São Paulo estão vivenciando o melhor momento para o recebimento dos medicamentos. O novo tratamento de HEPATITE C, ofertado pelo Ministério da Saúde, desde 2015, dá qualidade de vida aos portadores do vírus. E a esperança da cura, que é maior do que 95%, alegra a todos, inclusive os familiares".

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, "que atende mais de 50% dos pacientes do país", contabilizou, desde o inicio da incorporação do tratamento no SUS, a entrega de quase 20 mil tratamentos pelo Ministério da Saúde.

Não podemos, enquanto movimento social, deixar de  reconhecer o esforço do Ministério da Saúde que adquire o produto e o estado que se encarrega de toda a logística de distribuição, e que obviamente só vive esse momento pelo envolvimento e competência profissional dos servidores envolvidos nesses órgãos.

O tratamento para a HEPATITE C consiste na associação de dois ou três comprimidos via oral, com dosagem diária por 12 ou 24 semanas, e em pouquíssimos casos é acrescido de um antiviral injetável de dosagem semanal. "Mas os co-infectados com HEPATITE C e HIV ainda são uma preocupação. Alguns pacientes aguardaram muito tempo o início do tratamento". O motivo do atraso, segundo o governo, foi à falta da apresentação específica de um dos remédios para os pacientes desse segmento, "mas agora tudo foi normalizado".

"A boa notícia é que o acesso ao tratamento é um alívio para os co-infectados, uma vez que a HEPATITE C pode evoluir gravemente nos pacientes soropositivos, provocando, por exemplo, uma cirrose hepática.  Sabemos ainda que a evolução da doença ocorre bem mais rápida no organismo da pessoa co-infectada com HIV do que no mono infectado (quando a pessoa é portadora apenas do vírus C da hepatite)".

Porém, independentemente dos medicamentos já terem sido entregues a quase todos os processos administrativos de solicitação feito para os co-infectados, o número de tratamentos da HEPATITE C dispensados para esse segmento no estado de São Paulo é baixo. O governo liberou pouco mais de 2.700, no entanto, as estimativas indicam que há muitos mais pacientes coinfectados. "Dados científicos apontam que mais de 20% dos portadores de HIV também estão infectados pelo vírus da HEPATITE C. Em São Paulo temos cerca de 100 mil portadores de HIV em tratamento. Então, as estimativas apontam que teríamos que ter em tratamento para HEPATITE C no estado de 20 mil pacientes com HIV".

Se foram solicitados um pouco mais de 2.700 tratamentos para HEPATITE C, apenas 13,5% dessa população terá acesso ao tratamento. Onde estão os 86,5% (17.500) dos pacientes coinfectados no estado?

O quadro é preocupante e há várias hipóteses, uma delas eu gostaria de afastar: "A eventual não testagem para o HEPATITE C nos serviços referenciados. Hoje, há um protocolo da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo que determina esse procedimento". Vale ressaltar ainda outras possibilidades, "talvez este paciente já tenha sido testado, mas o resultado foi negativo por ele ainda estar na janela imunológica ou por ter sido infectado posteriormente". Outras hipóteses são: "O desinteresse do paciente, as dificuldades de agendamento, entre outros".

"Algo deve ser feito com urgência, a evolução da doença é grave, os pacientes sem tratamento terão piora substancial de sua qualidade de vida, quando não da própria vida.Testar novamente todos os pacientes soropositivos para HEPATITE C pode ser uma saída, vale ainda criar um grupo de trabalho interno nos serviços para detectar gargalos. Assim, vamos encontrar pessoa perdidas nesse universo rude da co-infecção".

Quero parabenizar novamente o Ministério da Saúde e as Secretarias de Estado da Saúde, e em especial a de São Paulo, mas dessa vez não somente pela dispensação dos medicamentos para os portadores de HEPATITE C, mas sim para um futuro breve apresentar resultados de detecção mais próximos do real da co-infecção e consequentemente propiciar aos mesmos o tratamento indicado pelo Protocolo Clínico e de Diretrizes Terapêuticas.

Fonte: Agência de Notícias da Aids

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