"ONG Gestos denuncia segunda morte de paciente com Aids por falta de atendimento em Pernambuco"

A organização não governamental Gestos Soropositividade, Comunicação e Gênero denuncia a segunda morte em menos de três semanas de pessoas acompanhadas pela organização. "De acordo com a ONG, o óbito foi causado pelo inaceitável atendimento oferecido pelo sistema de saúde referenciado para a Aids no Estado de Pernambuco".

O paciente, que morreu nesta terça-feira, procurou o Hospital Correia Picanço, onde já era atendido, no dia cinco de maio, "e não foi internado por falta de leitos disponíveis, sendo encaminhado para casa". Com o agravamento do estado de saúde, ele voltou a procurar o hospital e, desta vez, foi encaminhado no dia 15 de maio para o Hospital Otávio de Freitas.

Na unidade de saúde, "a Gestos aponta ter encontrado situação semelhante às vivenciadas numa guerra, quando a realidade permite fazer apenas o mínimo e não o que seria necessário para garantir o tratamento e a saúde das pessoas". O usuário da Gestos permaneceu neste hospital por 10 dias, "segundo a entidade sem os cuidados devidos, acomodado num corredor da emergência, deitado numa maca rente ao chão, ao lado da entrada de um banheiro, com o prontuário embaixo do colchão".

"A ONG denuncia ainda que as medicações não foram ministradas nos intervalos corretos porque o procedimento só pode acontecer após visita médica, que não tinha horário ou dia certo para acontecer. A Gestos constatou que somente houve mudanças no atendimento ao paciente após a visita de uma enfermeira e uma assistente social da ONG".

O segundo caso acompanhado pela Gestos no mês de maio deste ano aconteceu no município do Cabo de Santo Agostinho. "A ONG aponta falha nos três níveis de atenção à saúde: primário, secundário e de alta complexidade". O posto de saúde teria demorado vários dias para fazer uma visita de acompanhamento, numa suposição de que a família queria se livrar do doente. "Com o estado agravado após uma crise convulsiva, a família acionou o SAMU, que não compareceu. Desesperada, recorreu ao Uber para levá-lo à UPA, que administrou duas fases de soro antes de encaminhá-lo de volta para a sua residência".

A atenção do serviço de saúde "só aconteceu após intervenção da Gestos e intermediação do Serviço de Atenção Especializada (SAE) do município, que conseguiu que uma enfermeira fizesse uma visita domiciliar". A profissional encaminhou o paciente para o Hospital Mendo Sampaio e, em seguida, para o Hospital Correia Picanço.

"A pessoa esperou 10 horas pela liberação de um leito antes de ser internada no isolamento respiratório e, posteriormente, na UTI. O paciente veio a óbito 10 dias depois do internamento no Correia Picanço".

A Gestos aponta que "estas situações fazem parte dos relatos diários de quem precisa de atendimento em Pernambuco e são frequentemente denunciadas por quem trabalha nos serviços de saúde, pelos usuários, por quem atua nos movimentos sociais e nas organizações não-governamentais".

"A ONG tem denunciado continuamente ao Ministério Público sucessivos casos de falta de medicamentos (antirretrovirais e para infecções oportunistas), assim como a dispensação de remédios vencidos às pessoas que vivem com HIV no Estado".

Como integrante da Articulação AIDS em Pernambuco, "a instituição tem também, há mais de dois anos, denunciado a falta de leitos nos hospitais de referência e a exígua quantidade de testes anti-HIV oferecidos na capital pernambucana".

FONTES: ONG GESTOS - DIÁRIO DE PERNAMBUCO

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