"HERPES ZÓSTER (COBREIRO): O QUE É, CAUSAS, SINTOMAS, TRATAMENTO, PREVENÇÃO E VACINA"


O  herpes-zóster é uma doença causada pelo vírus da catapora ou varicela."Só teve ou terá herpes-zóster quem teve catapora".



Assim: a catapora é uma doença que todos conhecem e que a maioria das pessoas teve enquanto criança. Pois bem, depois que cura, o vírus que a causou, que pertence ao grupo dos vírus do herpes e se chama varicela zoster, pode ficar "escondido, encubado" em algumas células do sistema nervoso central, por anos e anos.

Quando a resistência (imunidade) daquela pessoa, por alguma razão, "diminui", estes vírus que estão escondidos nos nervos começam a se multiplicar. "Ressuscitam" de sua incubação e produzem as lesões, muito semelhantes às da catapora: "bolhinhas ardidas de água e muita vermelhidão na pele em volta", que vem seguindo o trajeto de um nervo. Por isso é muito comum o herpes-zóster surgir  na região das costelas, seguindo o trajeto dos nervos intercostais. "Dói e incomoda muito. Popularmente o herpes-zóster era chamado de cobreiro".

Todo mundo que teve catapora terá também herpes-zóster?

NÃO! Apenas 30% das pessoas desenvolvem o herpes-zóster em algum momento na vida. "Os idosos e as pessoas que tem algum tipo de imunossupressão são os mais susceptíveis a desenvolver o herpes-zóster".

O herpes-zóster é contagioso?

SIM! "As lesões são contagiosas pelo contato direto. Uma pessoa que encosta a mão nas lesões pode transmitir o vírus para outra pessoa susceptível, isto é, uma pessoa que não teve a catapora". Qual doença a pessoa susceptível pega? "A catapora. Exatamente".

O vírus é o mesmo e a pessoa susceptível desenvolve a catapora. "Importante saber que o herpes-zóster não é contagioso pelas vias respiratórias". Por isso, "pode-se ficar com alguém que esteja com herpes-zóster no mesmo ambiente, crianças inclusive, desde que, claro, não haja contato direto com as lesões". Importante saber que as "bolhinhas de água estão lotadas de vírus e, por isso é importante lavar muito bem as mãos com água e sabão depois de as encostar nestas lesões".

Quanto tempo dura o herpes-zóster?

Dura em média de 7 a 10 dias, "se a pessoa não tiver outros problemas concomitantes de saúde". Deixa de ser contagioso "quando as bolhinhas características sumirem e ficarem apenas as crostas em seu lugar". No entanto, "como o nervo foi acometido, muitas pessoas continuam a sentir dor no local muito tempo depois que as lesões já desapareceram por completo. Por isso o herpes-zóster é bastante desconfortável".

Existe vacina contra o herpes-zóster?

SIM! A vacina foi recentemente liberada pela Anvisa, "mas não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), ela pode ser encontrada em laboratórios e hospitais particulares, e está basicamente indicada para pessoas com mais de 50 anos, pela maior chance da doença nesta faixa etária". Quem foi vacinado e mesmo assim tem o herpes-zóster tem uma vantagem: "a vacinação prévia diminui a intensidade das lesões, a dor local e principalmente a nevralgia, isto é, a dor intensa no nervo, que é a causa de grande desconforto. A vacina não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela pode ser encontrada em laboratórios e hospitais particulares.



"Pesquisadores desvendam mecanismo da dor aguda no herpes zoster.  Descoberta aponta novo alvo para o tratamento, que pode usar substâncias já existentes no mercado"

Pessoas que desenvolveram herpes zoster e sofrem com um quadro de dores agudas ganharam um aliado no tratamento dessa doença. Pesquisadores do Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (Crid) "conseguiram desvendar o mecanismo que gera a dor aguda e que também contribui para o desenvolvimento de dor crônica nesses pacientes. O trabalho foi publicado na revista "Journal of Neuroscience" no início do mês.

(Imagem: ContraVir Pharmaceuticals)

Para estudar o mecanismo que gera essa dor, os pesquisadores utilizaram modelos de camundongos infectados com o vírus da herpes simples (HSV-1), cujo comportamento é semelhante ao do varicella zóster no ser humano. O camundongo não é suscetível ao varicella zóster, por isso usamos o HSV-1, que é da mesma família. Quando infectamos os camundongos, eles apresentam uma hipersensibilidade dolorosa, pois o vírus chega ao gânglio e promove uma inflamação nesse local.

Examinamos vários aspectos dessa inflamação local, como o infiltrado de células, que contém macrófagos e neutrófilos (células de defesa do organismo), e caracterizamos a resposta imune, contam os pesquisadores. Ao examinar a produção de mediadores inflamatórios, os pesquisadores observaram a ação de uma molécula específica, o fator de necrose tumoral (TNF). Ele é liberado pelas células do sistema imune e age nos receptores expressos pelas chamadas células gliais satélite, que envolvem o neurônio sensitivo. "Segundo eles, a pesquisa demonstrou que o TNF pode ser usado como um alvo no tratamento da dor herpética. Já existem, inclusive, substâncias no mercado que são usadas para bloqueá-lo".

Embora o controle da inflamação seja fundamental para a redução da dor aguda, "cerca de 40% dos pacientes permanecem sentindo dores por até muitos anos". Eles desenvolvem o que os pesquisadores chamam de "neuralgia pós-herpética, ou seja, dor crônica". Não se sabe muito bem a explicação para essa neuralgia pós-herpética. "Acreditamos que processos envolvidos na dor aguda levam à cronificação dessa dor. Então, se compreendermos a dor aguda, conseguiremos prevenir a pós-herpética".

Existem na literatura casos de pacientes, "geralmente portadores de doenças autoimunes, tratados com terapias bloqueadoras do TNF que se tornam menos suscetíveis ao desenvolvimento da dor pós-herpética". É óbvio que isso necessita de mais estudos clínicos, com uma população maior de pacientes, "mas é uma evidência que dá suporte para nossos achados e ainda abre uma perspectiva em longo prazo para casos de dor crônica no herpes zoster, dizem os pesquisadores".

FONTES: JORNAL DA USP - BEM ESTAR/GLOBO - DRÁUZIO VARELLA

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